Regras do Fisco e falta de recursos prejudicam controlo de rendas
2 de jul. de 2024, 17:36
— Lusa/AO Online
O
STI reagiu assim às conclusões de uma auditoria de desempenho ao
controlo tributário no âmbito do arrendamento imobiliário, realizada
pela Inspeção-Geral de Finanças (IGF) em 2023, que concluiu que a AT não
tem um plano abrangente de controlo do arrendamento ilegal que integre
as denúncias e a informação sobre os contratos de água e energia que as
empresas fornecedoras estão obrigadas a enviar-lhe.Segundo
o STI, a “dificuldade da AT em controlar rendas não declaradas” é
“fácil” de entender. “Em parte isso é justificado pela falta de recursos
humanos e materiais, mas não só. A realidade é que em vez de ajudar os
inspetores e gestores tributários e aduaneiros a fazer o seu trabalho a
AT tem criado mecanismos e regras que prejudicam e dificultam esse
trabalho”, lamentou.Para Gonçalo
Rodrigues, presidente do STI, esta auditoria de desempenho levada a cabo
pela IGF “destapa, uma vez mais, uma realidade para a qual a estrutura
sindical tem vindo a alertar, ou seja, esta é uma das muitas evidências
de trabalho que a AT devia fazer e não faz”, segundo a mesma nota.Segundo
o sindicato, “os valores por declarar no arrendamento engrossam os
valores da fraude e evasão fiscal e não são apenas residuais. Seria
importante que fossem inspecionados e cobrados”.Para
o STI, a AT, “que tem falta de meios humanos e materiais, ainda os
dispersa em tarefas rotineiras e robóticas em vez de os afetar ao
combate à fraude, à evasão fiscal e à criminalidade económica e
financeira”.Segundo a legislação em vigor,
as empresas fornecedoras de água, energia e telecomunicações têm de
comunicar à AT, até ao dia 15 de abril, 15 de julho, 15 de outubro e 15
de janeiro, os contratos celebrados com os respetivos clientes, bem como
alterações que se tenham verificado no trimestre anterior.Esta
comunicação é feita através do chamado Modelo 2 do IMI, com a IGF a
constatar a ausência de um plano por parte da AT que integre a
informação constante neste Modelo 2 com as denúncias de arrendamentos
não declarados.Esta informação "não tem
sido utilizada, de forma consistente, para efeitos de controlo, apesar
da sua utilidade na análise de risco de evasão fiscal", conclui a
auditoria, com a IGF a referir que tal ficou demonstrado pelo resultados
obtidos nas amostras constituídas com base nessa informação e nas quais
60% dos contratantes arrendatários não tinha contrato de arrendamento
registado/vigente e 25% dos contratantes proprietários, com contratos de
fornecimento para várias casas, não tinha atividade declarada.A
IGF diz ainda que a AT não conhece o universo de denúncias recebidas e
não dispõe de uma aplicação que simplifique o processo de comunicação e
"assegure a sua gestão eficiente, desmaterializada e centralizada".