Regionais nos Açores poderão ter mais reflexos à direita nas legislativas
Eleições/Açores
28 de dez. de 2023, 11:29
— Lusa/AO Online
“Não
vale a pena andar com leituras nacionais" das eleições nos Açores,
defendeu António Costa Pinto. Este politólogo considerou, contudo, que
"os resultados das regionais, e a estratégia sobretudo do PSD em relação
ao Chega e do Chega em relação ao PSD, não deixarão de ter uma leitura
nacional".Questionado pela agência Lusa
sobre que impacto terão as eleições de 04 de fevereiro nos Açores nas
legislativas de 10 de março, António Costa Pinto respondeu que os atos
eleitorais regionais “têm uma autonomia significativa” e que “a
contaminação nacional desses resultados também é pequena,
historicamente”. Porém, dada a proximidade temporal entre as duas,
"existirá seguramente alguma ativação política dos seus resultados e,
sobretudo, das estratégias de acordos parlamentares para as eleições no
continente”.António Costa Pinto, do
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, considerou que
“à esquerda não há nada a jogar” nestas regionais.Teresa
Ruel, professora de Ciência Política no Instituto Superior de Ciências
Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, salientou a proximidade
entre os dois atos eleitorais – separados por apenas cinco semanas - e
considerou que quem vencer as regionais terá “um bónus”.“Mas
creio que aqui o foco está muito direcionado para esta coligação de
direita, seja nos Açores, seja no continente, para ver qual é também o
desempenho e resultado desta combinação de forças políticas e destas
alianças”, salientou. Teresa Ruel notou
que nos últimos atos eleitorais, as regionais têm tido um maior “efeito
de contágio” para a realidade nacional, salientando a existência de
“ciclos eleitorais cada vez mais curtos”.Também
André Azevedo Alves, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade
Católica, realçou a proximidade de calendário entre os dois atos
eleitorais, considerando natural que exista uma leitura nacional "mais
forte" do que o habitual das eleições açorianas. No
que toca à direita, o politólogo considerou “vai ser muito importante
ver qual a configuração” de uma eventual maioria nos Açores,
“nomeadamente se haverá penalização de algum partido à direita pelas
eleições antecipadas”.“E também será
importante verificar, havendo essa maioria à direita, se o PSD não
conseguir governar com o CDS, qual o tipo de negociação e de
entendimentos que resultam daí. Se voltarmos a ter alguma forma de
acordo com o Chega, como aconteceu após as últimas eleições regionais
nos Açores, creio que desta vez, e mais uma vez tendo em conta a
proximidade das legislativas, também o impacto será maior”, sustentou.Azevedo
Alves sublinhou que, do ponto de vista formal, os partidos regionais
têm autonomia, mas salientou que o presidente do PSD, Luís Montenegro,
terá um “problema a resolver” se não houver maioria nos Açores e for
necessário entendimentos com o Chega, depois de ter rejeitado
repetidamente a nível nacional alianças com o partido liderado por André
Ventura.Já quanto à esquerda, diz apenas
que seria “muito simpático” para Pedro Nuno Santos, recém-eleito
secretário-geral do PS, estrear-se como líder nacional recuperando o
governo regional dos Açores. A proposta de
orçamento dos Açores foi chumbada em 23 de novembro, na generalidade,
com votos contra do PS, BE e IL e abstenções do Chega e do PAN, tendo
recebido apenas votos favoráveis dos três partidos que integram o
Governo Regional, PSD, CDS-PP e PPM, e do deputado independente Carlos
Furtado, ex-Chega.O executivo chefiado por
José Manuel Bolieiro deixou de ter apoio parlamentar maioritário desde
que um dos dois deputados eleitos pelo Chega se tornou independente e o
deputado da Iniciativa Liberal rompeu com o acordo de incidência
parlamentar, em março.O Governo de
coligação PSD/CDS-PP/PPM mantém um acordo de incidência parlamentar com o
agora deputado único do Chega no parlamento açoriano.A 10 de março, realizam-se eleições legislativas antecipadas, depois da
demissão do primeiro-ministro, António Costa, na sequência de uma
investigação judicial na qual é visado. PSD e CDS já anunciaram uma
coligação pré-eleitoral.