Regiões periféricas da UE pedem que Bruxelas “não desvie” fundos da coesão para ambiente
15 de jan. de 2020, 17:58
— Lusa/AO Online
“A
CRPM congratula-se com o compromisso da Comissão Europeia em ter uma
agenda climática ambiciosa, integrando o clima nas políticas da UE e
envolvendo todos os níveis de governança como parte do Pacto Ecológico
Europeu, mas essa ambição não deve levar a um desvio de financiamento”,
vinca esta entidade em comunicado.Reagindo
à apresentação, feita na terça-feira, do chamado Fundo de Transição
Justa – destinado a criar uma economia competitiva e que trave as
alterações climáticas, passando, por exemplo, pela reconversão da
indústria de produção de energia com base em combustíveis fósseis –,
esta entidade vinca que o novo mecanismo deve antes “ser um acrescento
aos objetivos e recursos da política de coesão a fim de enfrentar
totalmente os desafios da transição verde”.Na
nota, a CRPM pede, também, que o executivo comunitário preste “atenção à
distribuição destas verbas a nível nacional, garantindo uma
distribuição territorialmente equilibrada”.A
organização solicita ainda à Comissão Europeia “que garanta que a
implantação do Fundo de Transição Justa não gere burocracia adicional,
complicando as negociações em curso dos regulamentos e programas
referentes à política de coesão e causando atrasos na implantação do
quadro financeiro 2021-2027”.Citado na
nota, o presidente do Governo Regional dos Açores e também atual líder
da assembleia-geral da CRPM, Vasco Cordeiro, sublinha que a criação
deste novo fundo “não pode justificar novos cortes no envelope da
política de coesão”, numa altura em que se discute o próximo orçamento
da UE a longo prazo.“A preservação de um
orçamento da UE ambicioso e de verbas reforçadas para a política de
coesão deve continuar a ser a principal prioridade para apoiar a ação
climática a nível territorial”, adianta Vasco Cordeiro.Na
terça-feira, a comissária europeia portuguesa com a pasta da Coesão e
Reformas, Elisa Ferreira, defendeu no Parlamento Europeu, em
Estrasburgo, o “seu” Fundo de Transição Justa, no valor de 7,5 mil
milhões de euros, para ajudar à descarbonização de regiões especialmente
dependentes dos combustíveis fósseis.Até
ao momento, a Comissão Europeia não revelou a chave de repartição
daquele montante pelos 27 Estados-membros, mas fontes europeias
adiantaram à agência Lusa que o valor alocado aos projetos portugueses
nesta área deverá andar entre 75 e 80 milhões de euros (aproximadamente
1%).Elisa Ferreira, que é uma das
responsáveis diretas pela execução deste fundo, explicou na terça-feira
aos jornalistas portugueses que em causa está “dinheiro novo” e não
verbas provenientes de outras rubricas orçamentais.O
Fundo de Transição Justa só poderá ser utilizado pelos países de forma
combinada com os fundos da Coesão (desenvolvimento regional e social
europeu), além do cofinanciamento nacional para cada projeto candidato.O novo instrumento faz parte do Plano de Investimento para uma Europa Sustentável.