Regiões da Macaronésia vão cooperar nas áreas da saúde mental e comportamentos aditivos
26 de jun. de 2025, 14:41
— Lusa
“Assinala-se
hoje o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas,
instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, e assinala-se também
uma data importante para as regiões da Macaronésia, com a assinatura
deste importante protocolo de cooperação, que nos vai incentivar e
estimular a trabalhar em rede, permitir e garantir a troca e o reforço
de conhecimentos, bem como a partilha de boas práticas no interesse
comum”, salientou a secretária regional da Saúde da Madeira. Micaela
Freitas falava no salão nobre do Governo Regional, na cerimónia de
assinatura do documento, que envolve a Madeira, os Açores, Cabo Verde e
Canárias.A governante realçou que os
comportamentos aditivos e a saúde mental são problemas comuns a todos os
ilhéus, que enfrentam desafios também comuns, apontando a necessidade
de “ações conjuntas que maximizem a eficácia e eficiência de meios
técnicos, científicos e humanos” que contribuam para fortalecer todas
estas regiões.“Precisamos de políticas
coordenadas entre as várias entidades com competências nestas sensíveis e
delicadas matérias, através da implementação de estratégias integradas,
assentes na prevenção, na dissuasão, tratamento e redução de impactos
sociais”, afirmou.A secretária da Saúde
acrescentou que é também essencial promover “políticas públicas que
alinhem a prevenção ao combate ao tráfico, mas sempre com base nos
direitos humanos, na ciência e na empatia”.“Precisamos,
mais do que nunca, de estar à frente do nosso tempo, precisamos de
olhar em frente, conscientes de que a dependência de drogas é uma doença
e deve ser tratada como tal”, reforçou.Micaela
Freitas considerou ainda que o trabalho desenvolvido pelo Governo
Regional nos últimos anos tem sido positivo, com “um conjunto de
respostas integradas”, sustentando que os resultados dos “vários estudos
coordenados pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e
Dependências” têm sido “animadores”. “Temos
sido das regiões do país com menor prevalência de consumo de
substâncias psicoativas lícitas e ilícitas, sobretudo ao nível do
tabaco, do álcool e da canábis”, referiu.“O
trabalho tem sido efetivo, mas precisamos de continuar a trilhar um
longo caminho, por exemplo, no combate ao fenómeno das novas substâncias
psicoativas”, assumiu.A secretária
regional da Saúde destacou a criação de equipas de apoio domiciliário de
saúde mental, que serão “uma realidade ainda este ano na região”, e
assegurou que o executivo vai continuar “a apostar na contratação de
profissionais na área de psicologia, psiquiatria e serviço social, nas
equipas comunitárias de saúde mental e na rede de cuidados continuados
integrados de saúde mental”.O psiquiatra
Luís Filipe Fernandes, do grupo de trabalho de elaboração do protocolo,
adiantou, em declarações aos jornalistas, que o próximo passo é cada
região escolher os parceiros “que têm mais interesses nesta área,
fundamentalmente os serviços de psiquiatria, as instituições de
solidariedade social, a universidade pela sua capacidade de
investigação, as polícias e os tribunais”.O
objetivo é, sobretudo, que os quatro arquipélagos partilhem as suas
práticas e dificuldades, para que se estabeleçam novos protocolos com
medidas mais concretas, sublinhou o diretor clínico das casas de saúde
S. João de Deus e Câmara Pestana.