Regimentos militares dos Açores e da Madeira são os que "têm maior atratividade"
24 de fev. de 2023, 17:34
— Lusa
“Os
regimentos que têm maior atratividade são os das regiões autónomas.
Talvez porque aqui, como há esta visibilidade, acaba por ser muito
prestigiante para os jovens prestarem serviço nas Forças Armadas”,
avançou, em declarações à Lusa, o Chefe do Estado-Maior-General das
Forças Armadas, António Silva Ribeiro.O
responsável falava, em Angra do Heroísmo, nos Açores, numa sessão de
divulgação das Forças Armadas com alunos do 9.º ao 12.º anos da Escola
Básica e Secundária Tomás de Borba, integrada nas comemorações do 30.º
aniversário do Comando Operacional dos Açores.Segundo
o almirante António Silva Ribeiro, cabe ao Comando Operacional dos
Açores “coordenar todas as operações militares” na região, o que se
torna especialmente relevante nas emergências civis, como sismos e
erupções vulcânicas.O papel do Exército no
apoio às populações em catástrofes naturais e o papel da Força Aérea e
da Marinha nas missões de busca e salvamento no mar ou nas evacuações
aeromédicas entre ilhas ou para o continente conferem uma “maior
visibilidade” às Forças Armadas nos Açores, segundo o Chefe de
Estado-Maior-General.“Os militares estão
sempre empenhados nestas missões de caráter humanitário de prestar apoio
às populações e isso faz com que as populações dos Açores olhem para os
militares de uma forma mais abrangente do que aquela que tem a ver
apenas com o cumprimento das missões militares”, salientou.É
sobretudo em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, que há maior adesão
dos jovens às Forças Armadas, mas também em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, onde se realizaram hoje duas sessões de divulgação com
crianças e jovens.“Com estes programas o
que visamos é abrir as Forças Armadas aos jovens, para que eles percebam
que as Forças Armadas existem para servir os portugueses”, frisou o
almirante António Silva Ribeiro.O
Comandante Operacional dos Açores, Morgado Baptista, ressalvou que não
são ações de recrutamento, mas defendeu a importância do contacto com os
jovens.“Temos ido a escolas em todas as
ilhas e vamos continuar a fazê-lo, porque entendemos que é importante
estarmos próximos dos jovens. Eles são os líderes de amanhã e assim
entenderão melhor qual é o papel das Forças Armadas e compreenderão qual
é a sua missão, os seus valores e de que forma estão efetivamente ao
serviço dos portugueses”, apontou.O
tenente-general Morgado Baptista considerou igualmente que “a missão das
Forças Armadas no apoio às populações é muito visível no contexto da
região autónoma”.“Há um sentimento de
grande proximidade entre as populações açorianas e as Forças Armadas.
Elas entendem, com muita facilidade, qual é o seu papel, no seu dia a
dia, porque contam com elas, sempre que é necessário”, vincou.Segundo
Morgado Baptista, em 2022, o Comando Operacional dos Açores “beneficiou
de um investimento significativo na sua capacidade de gerir
informação”, que se “materializou na edificação de um centro de
operações, reapetrechado e modernizado”, em Ponta Delgada.“Estamos,
nesta fase, a iniciar a utilização de uma nova valência, que são os
sistemas aéreos não tripulados, que vulgarmente são conhecidos por
drones, e que também vão ser importantes no apoio ao processo de tomada
de decisão, mas também para o apoio a outras entidades da região, que
ainda não dispõem dessas capacidades para poder beneficiar destas
valências nos contextos até de situações no âmbito da Proteção Civil ou
de outro tipo de tarefas, em que uma perspetiva vista do ar pode ser
importante”, acrescentou.Os desafios do
comando, que completa 30 anos, são, por isso, para o
comandante, “consolidar estas novas capacidades”, mais do que “abraçar
novas ideias”.