"Regime de fidelizações tem sido prejudicial para economia e consumidores"
5 de jul. de 2022, 15:08
— Lusa/AO Online
João
Cadete de Matos falava na comissão parlamentar de Economia, Obras
Públicas, Planeamento e Habitação, no âmbito do grupo de trabalho sobre
as comunicações eletrónicas [sobre a Lei das Comunicações Eletrónicas
(LCE) que transpõe o Código Europeu das Comunicações Eletrónicas
(CECE)].O presidente da entidade
reguladora enumerou uma dúzia de razões para defender a alteração do
atual regime de fidelização nas comunicações eletrónicas e nos encargos a
serem pagos na cessação antecipada dos contratos.João
Cadete de Matos referiu que os atuais encargos da cessação antecipada
do contrato em Portugal "são muito mais elevadas do que nos outros
países".Apontou que há países da União
Europeia (UE) em que os prazos dos contratos de fidelização são
"menores", com a Dinamarca com um prazo "de seis meses", e a Noruega e
Hungria que têm 12 meses.Outra das razões é
o regime de fidelizações em vigor em Portugal "não ter conduzido a
preços mais baixos", mas "pelo contrário", salientou, citando que "os
únicos dados fiáveis" sobre este tema são os Eurostat, da OCDE,
referindo que "todos eles colocam Portugal entre os países que tiveram
maior aumento dos preços das comunicações", superior a 11%.Aliás,
"se o argumento fosse que alterar as regras de fidelização e aumentar
os preços, eu se fosse operador" iria querer subir os preços, disse João
Cadete de Matos.O presidente da Anacom
sublinhou que os países com menores períodos de fidelização são "aqueles
que apresentam preços mais baixos", o que "evidencia" que o atual
regime "tem sido prejudicial para a economia portuguesa e para os
consumidores".Além disso, este regime "não
conduziu a um maior investimento", pois "havendo pouca concorrência, e
as fidelizações contribuem para isso", há menos investimento, referiu."O
regime de fidelização em vigor não tem favorecido o desenvolvimento
económico", sublinhou, salientando que é também "uma barreira à entrada
de novas empresas no mercado", aludindo o que se passou no "último ano"
durante o leilão 5G.