Região tem mais mil cães nos centros de recolha oficial
Hoje 10:04
— Ana Carvalho Melo
A Provedora Regional do Animal alertou que existem cerca de mil canídeos nos centros de recolha oficial dos Açores - alguns há mais de dez anos -, apelando à adoção responsável no Dia Mundial dos Animais de Rua, que se assinala hoje.Em nota enviada ao Açoriano Oriental, Dagmar Weisz Sampaio afirmou que, após um ano de atividade e de visitas aos 19 concelhos da Região, não pode “deixar de dar visibilidade à problemática e de contribuir para a consciencialização da população para um combate efetivo do problema”.A provedora associou-se à data com o propósito de “suscitar a reflexão pública sobre os animais que vivem as mais diversas situações precárias, numa violação clara dos seus direitos, provocada, particularmente, pelo abandono”.O abandono de animais de companhia é crime em Portugal, punível com pena de prisão até seis meses ou multa de até 60 dias, ao abrigo do artigo 388.º do Código Penal. Ainda assim, Dagmar Weisz Sampaio considera que a Região está “muito longe de possuir um mecanismo de censura social e judicial adequado a produzir um efeito dissuasor da sua prática”.“Na realidade, não basta a criminalização da conduta. É preciso o envolvimento de toda a população na defesa dos mais elementares direitos dos animais”, sublinhou.A Provedora elencou um conjunto de prioridades que considera urgentes: “Precisamos de mais fiscalização. Precisamos de maior celeridade no tratamento dos casos identificados. Precisamos de cidadãos mais ativos na denúncia das violações dos direitos dos animais. Precisamos de detentores mais responsáveis.”Dagmar Weisz Sampaio alertou ainda para o incumprimento generalizado das obrigações legais associadas à detenção de animais de companhia. “Os detentores de uma vez por todas [têm de] perceber que não podem deter animais de companhia sem estarem devidamente identificados e registados”, afirmou, acrescentando que os animais devem ter “os devidos cuidados e necessidades asseguradas e, de preferência, esterilizados”.Os cerca de mil canídeos atualmente alojados nos canis do arquipélago são, segundo a provedora, o reflexo direto do abandono por parte de proprietários e detentores. A permanência prolongada nestes espaços representa, na sua perspetiva, uma falha coletiva que exige resposta coordenada entre autarquias, governo regional e cidadãos.No apelo final, a Provedora Regional do Animal instou todos os que “tenham condições e, com sentido de responsabilidade”, a adotarem um animal junto do centro de recolha oficial do seu concelho, “como forma de diminuir o número de animais acolhidos e de lhes proporcionar uma melhor condição de vida do que a condição de animal de rua lhes proporcionou”.