Região sem quantificar quantos turistas capta com presença na BTL
Hoje 09:38
— Ana Carvalho Melo
O Governo Regional dos Açores reconhece que não dispõe de qualquer
metodologia para calcular o custo por turista captado na Better Tourism
Lisbon Travel Market (BTL), nem consegue estimar o número de visitantes
que escolhem o destino em resultado direto da presença no evento.Num
requerimento assinado pelos cinco deputados do Chega, o Executivo foi
questionado sobre contactos comerciais, visitantes, retorno económico,
custos acumulados e métricas de impacto da participação dos Açores na
BTL.Na resposta enviada à Assembleia Legislativa, o Governo afirma
ser “impossível haver uma estimativa técnica” que permita quantificar
turistas captados especificamente em resultado da participação na edição
de 2026 da feira, justificando que se trata de uma ação de promoção e
não de comercialização direta.“A participação numa feira de turismo
não constitui uma ação de comercialização direta nem permite estabelecer
uma relação motivadora imediata e exclusiva entre a presença no evento e
a decisão de viagem de um determinado turista. Assim sendo, é
impossível haver uma estimativa técnica que permita quantificar o número
de turistas captados especificamente em resultado da participação dos
Açores na BTL 2026”, explica o executivo regional.Segundo dados
transmitidos pela Visit Azores, que correspondem aos valores suportados
por esta entidade, o custo total da participação dos Açores na BTL
oscilou entre 225.608 euros (2022) e 972.729 euros (2024), ano em que a
Região foi “Destino Convidado” da feira, “conduzindo a uma decisão
estratégica de reforço do investimento promocional nesse ano”.Em
2025, o investimento manteve-se em patamar elevado, atingindo 759.087
euros, com o stand a representar 551.700 euros e a inscrição 201.348
euros, valores que reforçam o peso financeiro da presença física da
marca Açores no certame.Este ano, e de acordo com o requerimento do
Chega, o investimento foi superior a um milhão de euros. “Considerando
que, de acordo com a informação publicada, a referida operação,
identificada com o código ACORES2030-FEDER-02627800, apresenta um custo
elegível de 1.010.612,62 euros, com um apoio financeiro da União
Europeia de 859.020,73 euros, correspondendo a uma taxa de
cofinanciamento de 85% ao abrigo do programa Açores 2030”, escreve
Chega.Durante a edição de 2026 da Better Tourism Lisbon Travel
Market, o Governo indica que foram estabelecidos cerca de 80 contactos
comerciais com potenciais parceiros durante os dias reservados a
profissionais, acrescentando ainda contactos realizados pelas cerca de
40 empresas regionais presentes no stand.No mesmo documento, o
Executivo refere que o stand dos Açores recebeu 15.700 visitantes ao
longo dos cinco dias da feira, o que corresponderá a uma afluência de
aproximadamente 18,5% face aos cerca de 85 mil visitantes registados na
BTL 2026, números usados como indicadores de visibilidade, mas não de
conversão turística.Em resposta sobre o “retorno económico”
diretamente associado à participação na BTL, o Governo remete para o
relatório final da operação de promoção da Visit Azores, que destaca
sobretudo indicadores de comunicação: 156 peças mediáticas, um valor
mediático estimado de 189 mil euros em equivalência publicitária e mais
de 600 mil visualizações de conteúdos digitais ligados ao evento.Para
o executivo regional, “estes indicadores demonstram a capacidade da
operação de gerar visibilidade, exposição mediática e contacto direto
com potenciais visitantes, profissionais do setor, operadores turísticos
e meios de comunicação social, contribuindo para o reforço da
notoriedade e competitividade do destino Açores e respetivo retorno”.Questionado
sobre o custo por turista captado, o Governo admite não existir
qualquer metodologia que estabeleça uma relação direta e exclusiva entre
a participação na BTL e a decisão individual de viagem, reiterando que
não consegue quantificar esse indicador.“Não é possível determinar
um custo por turista captado, uma vez que não existe uma metodologia que
permita estabelecer uma relação direta e exclusiva entre a participação
na BTL e a decisão individual de viagem de um turista”, reitera.Já
questionado sobre a decisão de participar na BTL 2026, o executivo
regional destaca que “é a principal feira de turismo realizada em
Portugal, contando com a participação do Turismo de Portugal, das
Entidades Regionais de Turismo, das Agências Regionais de Promoção
Turística e dos principais operadores do setor”.