Região reúne potencialidades para se tornar uma Blue Zone
3 de out. de 2025, 11:58
— Arthur Melo
Os Açores reúne alguns dos princípios essenciais para aspirar tornar-se
numa Blue Zone, defendeu ontem Céline Vadam, fundadora e CEO da empresa
de consultadoria de bem-estar WE(i) Think, na conferência “Rumo às Blue
Zones: Como a Transformação Digital Promove a Longevidade”, organizada
pelo Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) no auditório
da Escola de Novas Tecnologias dos Açores (ENTA), em Ponta Delgada. As
Blue Zones correspondem a locais onde a população apresenta uma
longevidade excecional, com maior qualidade de vida e menor incidência
de doenças crónicas. Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Nicoya
(Costa Rica), Icária (Grécia) e Loma Linda (Califórnia, Estados Unidos
da América) são as cinco “Blue Zones” que existem no mundo, podendo uma
sexta vir a surgir em breve, em Singapura. O meio ambiente, a
agricultura - muita dela biológica -, o forte espírito de comunidade e a
qualidade de vida existente na Região são alguns dos princípios
basilares das Blue Zones, como afirmou Céline Vadam. “Os Açores
dispõem de uma natureza maravilhosa, e embora este não seja um
requisito, o meio ambiente é um argumento muito forte em todas as
localizações das cinco Blue Zones no mundo. Para além disso, nos Açores
existe um sentimento muito forte de comunidade, o que constituiu um
princípio muito forte para se atingir o espírito adequado para a
longevidade. Ter a mentalidade adequada e um forte espírito comunitário é
fundamental. Estes dois importantes princípios existem nos Açores, para
não falar do estilo de vida despreocupado com que se vive nestas ilhas.
Este aspeto faz parte da mentalidade, assim como a maravilhosa
gastronomia açoriana, feita com produtos locais de elevada qualidade,
temos o chá dos Açores, o maracujá, a banana... O que não faltam à
Região são recursos locais que podem ajudar os Açores a tornar-se numa
maravilhosa Blue Zone”, declarou a conferencista ao Açoriano Oriental. De
acordo com Céline Vadam os princípios das Blue Zones são Mover
(mover-se naturalmente), Mentalidade Certa (propósito e desacelerar),
Comer com Sabedoria (regra dos 80%, predisposição vegetal e ‘Vinho às 5’
[o sã convívio ao final da tarde ]) e Conetar (pertencer, entes
queridos em primeiro lugar, tribo certa) e tudo isso é facilmente
vislumbrado nas cinco Blue Zones do mundo, quase sempre associadas - ou
adequadas - às culturas locais. Para os Açores, o desafio agora é
exatamente este: potenciar os vastos recursos locais e os princípios já
identificados na Região, no sentido de se caminhar para que o
arquipélago possa vir a tornar-se em uma Blue Zones. A conferência,
que termina hoje no auditório da ENTA, procura contribuir para que a
discussão possa começar a ser feita pelas entidades responsáveis - e
necessárias - em promover a longevidade da população da Região que,
dizem os últimos dados, é a mais envelhecida do país e com a menor
esperança de vida à nascença (78 anos). Esta é, pelo menos, a convicção
de Teresa Ferreira, presidente da direção do INOVA. “Este é um
desafio que a Região tem e o papel do INOVA foi apontar um caminho, que é
um caminho inovador com base num projeto que já teve provas dadas de
sucesso em termos internacionais, que foi a Blue Zones. O que quisemos
alertar foi que o problema existe e para além de um problema é uma
oportunidade e a forma como podemos contribuir para resolver este
problema passa por, também, trazer cá, metodologias e protocolos que
estão a ser utilizadas em outras regiões do mundo que têm os mesmos
problemas que nós e com resultados garantidos. Se trouxermos e
replicarmos esta metodologia à Região, se calhar também vamos ficar
elegíveis para a conquista dos resultados que são provados em outras
partes do mundo”, vincou a responsável pelo INOVA.