Região de Madrid vai tomar medidas mais drásticas com confinamento seletivo
Covid-19
16 de set. de 2020, 14:23
— Lusa/AO Online
As medidas, que incluem
restrições à mobilidade, irão muito provavelmente afetar os bairros do
sul da cidade com forte presença da classe trabalhadora, onde as taxas
de contágio do vírus têm vindo a aumentar de forma constante desde
agosto, disse o conselheiro-adjunto da Saúde regional, Antonio
Zapatero, numa conferência de imprensa.O
responsável explicou que, embora a situação na região de Madrid seja de
crescimento sustentado do nível de infeções, é necessário antecipar e
considerar "todo o tipo de medidas".No
próximo fim-de-semana, as medidas serão detalhadas, pretendendo-se
baixar a curva do número de pessoas infetadas, porque existe um
"relaxamento" do comportamento dos cidadãos que "não se pode permitir". Zapatero
esclareceu que "tecnicamente" não se deve falar de confinamento, mas
salientou que, dada a situação epidemiológica na região, as autoridades
devem "dar um passo em frente na linha do confinamento seletivo nas
áreas de maior incidência". Por outro lado, a entrada em vigor das novas medidas será imediata, "pode ser no domingo ou na segunda-feira"."Madrid quer alisar a curva antes da chegada do outono e das complicações que o tempo frio pode trazer", disse Zapatero.A
capital de Espanha está inserida numa região que tem 6,6 milhões de
habitantes, onde se têm verificado quase um terço das novas infeções
diárias do país: durante a última semana o número de novos contágios
parece ter-se estabilizado numa média de 8.200 por dia.Os
casos de coronavírus já ultrapassaram os 600.000 e já houve mais de
30.000 mortes desde o início da pandemia, sendo Espanha o país europeu
atualmente mais duramente atingido pelo que alguns especialistas
descrevem como sendo a segunda vaga da pandemia.O
país baixou significativamente em maio último a curva de contágios
depois de ter passado por um dos confinamentos mais rigorosos em todo o
mundo, mas desde terminou o estado de emergência em meados de junho, os
surtos de covid-19 têm-se espalhado por todo o território.As
autoridades asseguram que estão agora a fazer mais testes e que mais de
metade dos recém-infetados não apresentam sintomas, mas os centros de
saúde estão a começar a ter dificuldades em lidar com o número crescente
de doentes.Nos hospitais, 8,5% das camas do país estão agora a tratar doentes com covid-19, mas em Madrid esse número aproxima-se dos 25%.