Região aposta na transição climática e no Mercado Voluntário de Carbono

Hoje 19:54 — Lusa

“O Governo Regional dos Açores, de modo transversal, assumiu um compromisso claro para com a transição climática e o desenvolvimento sustentável, através da implementação de um conjunto de políticas e instrumentos que promovem a mitigação e a adaptação aos efeitos das alterações climáticas, atendendo à vulnerabilidade acrescida dos Açores a este fenómeno”, afirmou Alonso Miguel, citado numa nota divulgado, no âmbito da sessão de apresentação do Mercado Voluntário de Carbono – Rumo à neutralidade climática, que decorreu em Ponta Delgada.No evento, Alonso Miguel alertou que os impactes das alterações climáticas “têm sido sentidos de modo cada vez mais intenso e frequente nos Açores, sobretudo ao nível de fenómenos meteorológicos extremos, associados à atividade ciclónica e episódios de precipitação intensa e concentrada”, segundo a nota divulgada pelo Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM).Essas situações potenciam “outros perigos naturais, como cheias, inundações, movimentos de vertente ou galgamentos costeiros, que provocam danos materiais e financeiros avultados, e que, acima de tudo colocam em risco a seguranças das populações”, salientou ainda o governante.“Apesar de sermos muito mais vítimas dos efeitos das alterações climáticas, do que contribuintes para os fenómenos que lhe estão na origem, é fundamental que a região possa contribuir responsavelmente para a mitigação dos impactes, mas, sobretudo, que possa garantir a capacitação necessária para uma adequada adaptação a esta nova realidade, que nos afeta e continuará a afetar durante um longo período”, afirmou.Alonso Miguel destacou que estão atualmente em execução na região vários instrumentos de política pública, como o Programa Regional para as Alterações Climáticas, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica dos Açores e projetos como o Planclimac e o Reinforce, que contêm um conjunto de medidas estratégicas para mitigação e adaptação do arquipélago aos efeitos das alterações climáticas.Assinalou ainda investimentos como a criação de Cartografia de Risco para mitigação e adaptação às alterações climáticas, o Plano de Gestão de Riscos de Inundações e o Plano de Secas e Escassez dos Açores, a implementação de sistemas de alerta para cheias em bacias hidrográficas de risco do arquipélago, ou a implementação do projeto de recuperação e monitorização das turfeiras dos Açores, “ecossistemas de enorme relevância climática enquanto sumidouros de carbono”.O evento foi promovido pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, em articulação com a Agência para o Clima, entidade supervisora do Mercado Voluntário de Carbono, e pela Agência para a Energia, gestora da plataforma de registo de projetos e de créditos de carbono.Alonso Miguel sustentou que “é no contexto deste compromisso para com a ação climática que se vê o Mercado Voluntário de Carbono como um instrumento complementar e inovador, que poderá criar incentivos económicos para projetos de redução de emissões de gases com efeito de estufa e de sequestro de carbono, permitindo transformar a ação climática em valor económico” e promover o envolvimento de entidades públicas, empresas e cidadãos.