Reforma eleitoral promovida por Joe Biden volta a ser travada no Senado dos EUA
21 de out. de 2021, 11:43
— Lusa/AO Online
Os republicanos
negaram aos democratas os 60 votos necessários para dar início ao debate
do projeto-lei, conhecido atualmente como ‘Freedom to Vote Act’
(Liberdade para votar, em tradução simples), depois de ter tido o nome
de ‘Lei Para o Povo’.Mas, no meio do
impasse, há sinais de que os democratas estão a avançar para criar
consenso em torno das alterações nas regras de conduta do Senado, um
passo importante que poderá permitir o estímulo da reforma da lei
através de uma câmara alta do Congresso estreitamente dividida. O
senador Angus King, um independente do estado do Maine que se une aos
democratas, recentemente amainou a sua oposição à mudança das regras de
obstrução, que impõem um limite de 60 votos para a aprovação da maioria
das leis. “Concluí que a própria
democracia é mais importante do que qualquer regra do Senado”, disse
Angus King, que reconheceu que enfraquecer a obstrução provavelmente
seria uma “faca de dois gumes” sob a maioria republicana. Os
democratas ainda encaram grandes problemas para aprovar o projeto-lei,
que o líder da minoria do Senado, Mitch McConnell, criticou hoje como
“um esquema de aquisição eleitoral” federal. “O
que não podemos aceitar é uma situação em que um lado pede um debate
bipartidário e cooperação bipartidária, enquanto o outro se recusa até
mesmo a envolver-se num diálogo”, salientou o líder da maioria no
Senado, Chuck Schumer, de Nova Iorque, em câmara alta. A
nova rejeição dos republicanos dá, em parte, aos democratas poucas
opções e pouco tempo para agir, enquanto a base do Partido Democrata
fica cada vez mais frustrada por não haver progresso. “A
democracia – a própria alma da América – esta em jogo. Deve ser simples
e direto. Que haja um debate e que haja uma votação”, disse Joe Biden
em comunicado. A porta-voz da Casa Branca,
Jen Psaki, também deu a entender que o presidente dos EUA pode estar a
abrandar a sua oposição às alterações de obstrução. “[Os
republicanos] vão proteger esse direito fundamental? Ou vão continuar a
ser ruidosos – para usar uma palavra que o presidente já usou no
passado – colocar os democratas numa posição em não há alternativa a não
ser encontrar outro caminho?, questionou Jen Psaki.O
projeto-lei sobre a reforma eleitoral foi apresentado pelos democratas
pela primeira vez em março, tendo sido rapidamente aprovado pela Câmara
dos Representantes, numa altura em que as leis controladoras dos
republicanos – muitas inspiradas pelas falsas alegações de Donald Trump
de uma eleição defraudada em 2020 – avançavam com restrições em nome da
segurança eleitoral que tornariam mais difícil votar e poderiam
dificultar a Casa Branca com eleições sujeitas a interferências
partidárias.