Reforçada sinalização na Lagoa das Sete Cidades após mortes por afogamento
27 de ago. de 2025, 12:00
— Lusa/AO Online
“Claro
que é uma preocupação. Foram duas tragédias em pouco mais de 12 dias. É
difícil, lamento muito o que aconteceu e endereço os meus sentimentos a
ambas as famílias”, disse à agência Lusa a autarca Cidália Pavão.Um
jovem de 21 anos, residente em São Miguel, morreu na
terça-feira afogado na Lagoa das Sete Cidades, após ter entrado na água à procura de uma bola.No
dia 14 de agosto, um homem de 57 anos, também residente em São Miguel,
desapareceu no mesmo local, quando navegava numa embarcação vulgarmente
designada por “gaivota” e decidiu mergulhar.A
presidente da Junta de Freguesia das Sete Cidades, que na terça-feira
falou por telefone com o secretário regional do Ambiente e Ação
Climática, Alonso Miguel, adiantou que vão ser colocadas placas
sinaléticas no local, a alertar para os perigos da lagoa.“E
é o que nós estamos a fazer [no imediato]. E, depois, no próximo verão,
hão de fazer-se algumas ações de sensibilização, mas as pessoas têm
conhecimento que não se deve nadar nestas lagoas”, afirmou a autarca.Cidália
Pavão acrescentou que está decido colocar placas sinalizadoras no local
porque as autoridades não podem “fazer mais nada”: “A gente não pode
dizer às pessoas ‘não vás’, porque […] à partida, não sendo uma lagoa ou
uma zona balnear vigiada, acho que se devia já ter este sentido de
responsabilidade”.Ainda de acordo com a
presidente da Junta de Freguesia, após o regresso de férias do
governante, haverá uma reunião e na mesa serão colocadas “várias
situações” que também incluem a possibilidade de ser instalada uma
equipa de vigilância no local.Segundo o
Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Sete Cidades, “a
área de recreio balnear - praia, devidamente delimitada e sinalizada,
deve ser a única localização onde é permitida a prática de natação e
banhos”.A autarca referiu que qualquer uma
das empresas que têm equipamentos náuticos na lagoa “avisa as pessoas
que não devem nadar, porque é esse o contrato que existe entre a Direção
Regional do Ambiente e as empresas”.No
entanto, admitiu que, por vezes, quer os utilizadores dos caiaques, quer
das ‘gaivotas’, não têm sentido de responsabilidade, tiram os coletes
salva-vidas e nadam em qualquer local.“Isso
acontece muitas vezes. Claro que as empresas não têm qualquer tipo de
responsabilidade, porque não estão ao pé das pessoas que saem com as
‘gaivotas’ ou com os caiaques”, observou.Apesar
de terem ocorrido duas mortes por afogamento num curto espaço de tempo
na Lagoa das Setes Cidades, a presidente da Junta de Freguesia admite
que a imagem deste local icónico da ilha de São Miguel não ficará
afetada.“Eu sou nascida e crescida nas
Sete Cidades e sempre ouvi dizer que as lagoas são perigosas. Há imensa
gente que adora molhar os pés. Se a gente fizer as coisas com moderação e
responsabilidade, pertinho da margem, se calhar, até pode não acontecer
nada”, admitiu.Na mesma zona onde morreu
na terça-feira o jovem de 21 anos, também se afogaram, há alguns anos,
um pai e uma filha que residiam em São Miguel, recordou.