Reflorestação é a melhor solução para combater alteraçoes climáticas
4 de jul. de 2019, 18:00
— Lusa/AO online
O
estudo, do Laboratório Crowther, na Suíça, é o primeiro a quantificar
quantas árvores o planeta Terra pode suportar, onde elas poderiam
existir e quanto carbono poderiam armazenar. E concluiu que há potencial
para aumentar em um terço as florestas do mundo inteiro, sem afetar as
atuais cidades ou as terras agrícolas. Seria o mesmo que reflorestar uma
área equivalente a mais de 100 vezes o tamanho de Portugal. Uma
vez desenvolvidas, essas florestas poderiam armazenar 205 mil milhões
de toneladas de dióxido de carbono, cerca de dois terços dos 300 mil
milhões de toneladas de carbono extra que existem na atmosfera devido à
atividade humana desde a revolução industrial.O
estudo, liderado por Jean-Francois Bastin, também sugere que há um
grande potencial para regenerar árvores em zonas agrícolas e urbanas, e
destaca que essas árvores podem desempenhar um papel importante no
combate às alterações climáticas.Mas
alerta também para a urgência de se passar à ação, porque o clima já
está a mudar e em cada ano a área que pode suportar novas florestas vai
diminuindo. Mesmo com o aquecimento
global limitado a 1,5º Celsius a área disponível para reflorestação pode
ser reduzida em um quinto até 2050, assinala o estudo.“Todos
sabíamos que a reflorestação poderia ter um papel na luta contra as
alterações climáticas, mas não tínhamos conhecimento científico do
impacto que isso poderia causar. O nosso estudo mostra claramente que a
florestação é a melhor solução disponível atualmente e fornece provas
concretas para justificar o investimento”, diz Tom Crowther, professor e
um dos autores do estudo, no artigo da Science sobre a investigação
realizada.“Se agirmos agora, isso poderia
reduzir o dióxido de carbono na atmosfera em até 25%, para níveis vistos
pela última vez quase há um século”, adiantou.Para
tal, advertem os autores do estudo, é fundamental proteger as atuais
florestas e continuar no caminho de eliminar os combustíveis fósseis,
porque são necessárias décadas até que as novas florestas cresçam.O
Laboratório Crowther junta cientistas de várias áreas e estuda os
processos ecológicos que influenciam as alterações climáticas. Faz parte
do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH), considerada das
melhores universidades do mundo e a principal nas áreas das ciências da
Terra e do Meio Ambiente.Uma análise da
ONU divulgada no ano passado propunha que além de outras medidas na luta
contra as alterações climáticas é necessário plantar mais mil milhões
de hectares de floresta até 2050. O estudo vem mostrar que essas árvores
podem ser plantadas e dizer quanto carbono elas vão capturar,
confirmando que o cenário é “indiscutivelmente alcançável”, segundo os
autores do trabalho.Atualmente existem 5,5
mil milhões de hectares de floresta (segundo definição de floresta da
ONU). O Laboratório Crowther diz que podiam ser reaproveitados entre 1,7
e 1,8 mil milhões de hectares em áreas com baixa atividade humana e que
não são usados como terras urbanas ou agrícolas.