Referendos de adesão à Rússia de territórios ucranianos ocupados terminam esta terça-feira
27 de set. de 2022, 08:49
— Lusa/AO Online
Os
parlamentos das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e
Lugansk, reconhecidas pelo Kremlin a 21 de fevereiro passado, convocaram
um referendo de integração na Rússia entre 23 e 27 de setembro, ao qual
se juntaram as regiões de Kherson e Zaporijia, parcialmente sob domínio
russo.O anúncio oficial de realização
dessas consultas populares para anexação dos territórios ucranianos sob
ocupação russa foi feito num discurso à nação proferido na quarta-feira
pelo Presidente russo, Vladimir Putin, juntamente com o da mobilização
de 300.000 reservistas russos para combater na Ucrânia e de uma ameaça
velada de utilização de armas nucleares contra o Ocidente.De
imediato surgiram críticas dos países ocidentais e organizações
internacionais ao discurso de Putin, e o secretário-geral da ONU,
António Guterres, afirmou-se “profundamente preocupado” com os planos de
Moscovo de efetuar referendos sobre a adesão à Federação russa de
territórios ucranianos ocupados.Numa
reunião do Conselho de Segurança realizada na semana passada, Guterres
sublinhou que "qualquer anexação do território de um Estado por outro
Estado resultante da ameaça ou uso da força é uma violação da Carta da
ONU e do direito internacional". Com os
países ocidentais a considerarem os supostos referendos um simulacro
para assegurar o seu controlo pela Rússia, o Conselho de Segurança irá
discutir novamente a questão em reunião hoje em Nova Iorque. A
convocação destas consultas populares nos territórios ocupados pelas
forças russas segue-se ao referendo de adesão à Rússia realizado em 2014
pelas autoridades russófonas na Crimeia e cujo resultado legitimou a
anexação da península por Moscovo.