Redução dos jornais locais e desinformação são "grandes desafios" do jornalismo
10 de mar. de 2023, 12:32
— Alexandra Luís/Lusa
A
jornalista está em Portugal, a convite da embaixadora dos Estados
Unidos, Randi Charno Levine, no âmbito da comemoração da 'Women´s
History Month'."Há dois grandes desafios
que o jornalismo enfrenta neste momento", diz, apontando como "número
um" o facto de os jornais locais estarem a fechar "e as notícias locais
estão a esgotar".Nos Estados Unidos
"chamamos deserto de notícias onde os jornais locais já não fazem a
cobertura das cidades", prossegue a jornalista, que esteve nos mais
variados palcos de guerra, nomeadamente no Médio Oriente, a fazer
reportagens."E há estatísticas que mostram
que quando as câmaras municipais ou legislaturas não são cobertas por
jornalistas locais as notações das obrigações municipais descem porque
os repórteres não estão lá para responsabilizar o poder local",
argumenta Jennifer Griffin.Portanto, "o
cenário em mudança das notícias, onde não é financeiramente viável ter
repórteres a relatar sem medo e a responsabilizar funcionários
governamentais, é um problema", sublinha a jornalista da Fox News
Channel (FXC). E o facto de haver países
"onde os jornalistas já não estão seguros, seja a China, Rússia ou Irão
ou Afeganistão" e em que "não sabemos o que se passa lá", isso "permite
aos autocratas usar a desinformação para basicamente mentir aos seus
públicos", os quais, deste modo, "não sabem o que realmente está a
acontecer no mundo", aponta."A
desinformação e a proliferação de públicos que não sabem distinguir a
verdade da ficção e estão a ser manipulados por Putin e outros líderes
mundiais que não queiram que saibam a verdade, esse é o maior perigo que
o mundo e os democracias enfrentam neste momento", conclui a
jornalista.Jessica Griffin diz que nunca
sentiu que o facto de ser mulher jornalista a tenha impedido de fazer o
seu trabalho. Questionada sobre que conselho daria a uma jovem
jornalista, defende que a primeira coisa é ir para o terreno."Uma das coisas que fiz foi ir para fora quando tinha 20 anos", altura em que começou a trabalhar como jornalista."Nunca
gosto de dizer aos jovens que é mais perigoso ser jornalista agora do
que quando comecei", porque na altura era perigoso", "mas agora", depois
do caso de decapitação do jornalista Daniel Pearl e o facto de muitas
vezes o jornalista ser o alvo, as coisas mudaram para pior."Quando
a Al-Qaida começou a assassinar jornalistas à frente das câmaras" com
fins de propaganda ou na Sérvia, durante a guerra da Jugoslávia, em que
estes eram alvos, tudo se tornou muito perigoso", sublinha.Os
jornalistas "são alvos em zonas de conflito. Por isso odeio dizer aos
jovens para irem" para as zonas de conflito, mas "é onde se fazem
carreiras, é onde se pode ser testemunha" na história.No entanto, "diria às jovens mulheres" para seguirem qualquer história que estejam interessadas."Estejam no campo porque é aí que obtém mais experiência" e encontrem um "mentor", aconselha Jennifer Griffin.Ou seja, procurem um mentor que respeitem porque com mentor "aprende-se mais", diz.O
jornalismo "nunca se aprende na sala de aula", nem é algo que se possa
ganhar com um diploma, é um trabalho de campo, com mentores, "é uma
aprendizagem" com aqueles que já fizeram antes.
Griffin acrescenta que gosta de ser mentora de jovens repórteres,
apontando que a sua atual produtora tem 25 anos e "é fantástica".Jennifer
Griffin entrou na FNC em outubro de 1999 como correspondente em
Jerusalém, sendo que antes disso foi correspondente em Moscovo, onde
relatou o que se passava para a Fox News durante três.Desde
2007, Griffin noticia diariamente do Pentágono, onde questiona líderes
militares seniores, viaja para zonas de guerra com secretários de
Defesa, relatando todos os aspetos militares e as atuais guerras contra
os movimentos terroristas ISIS e Al-Qaida.