Redução do IRS em 2025 aprovada na generalidade pelo parlamento
4 de jul. de 2025, 16:47
— Lusa/AO Online
O BE, o Livre e o PCP votaram contra.A iniciativa, que prevê um desagravamento das taxas do primeiro ao oitavo escalão, será agora discutida na especialidade.Todos
os projetos de lei dos partidos da oposição que previam alterações à
tabela do IRS ou mudanças em outras normas do Código do IRS para
aumentar deduções fiscais (como as despesas dedutíveis relativas a
encargos com imóveis) foram reprovados. Em causa estavam iniciativas da
IL, BE, PAN, Livre e PCP.O Chega, que
apresentou um projeto de lei para baixar o IRS de forma mais acentuada
do 2.º ao 5.º escalão em 2026 e outro para alargar a dedução das
despesas com habitação, retirou as duas iniciativas antes de serem
votadas.A retirada aconteceu depois de o
líder do grupo parlamentar do PSD, Hugo Soares, afirmar, durante o
debate, que a bancada social-democrata está disponível para incluir uma
norma no Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) que vá ao encontro da
proposta do Chega.Na reta final do debate
da proposta do Governo, o líder do Chega, André Ventura, anunciou que a
bancada estaria disponível para votar favoravelmente a iniciativa do
executivo se este se comprometesse com “uma descida de 0,3 pontos
[percentuais] do 2.º ao 5.º escalão”, como a inscrita na iniciativa do
seu partido.Em resposta a esse desafio,
Hugo Soares abriu a porta à inclusão de uma norma no OE2026 e, mais
tarde, o Chega desistiu de levar o projeto a votos agora.Segundo
a proposta do Governo, a taxa do primeiro escalão passa de 13% para
12,5%, a do segundo desce de 16,5% para 16%, a do terceiro baixa de 22%
para 21,5%, a do quarto diminui de 25% para 24,4%, a do quinto decresce
dos atuais 32% para 31,4%, a do sexto deixa de ser 35,5% e fica em
34,9%, a do sétimo passa de 43,5% para 43,1% e, por último, a do oitavo
baixa de 45% para 44,6%. A taxa do último degrau de rendimentos continua
nos 48%.Embora não haja uma alteração
neste último patamar, a redução do IRS agora proposta pelo Governo
abrange todos os contribuintes que são chamados a pagar imposto, por
causa da regra da progressividade da tabela. A descida nos patamares
anteriores faz com que os contribuintes do novo escalão também
beneficiem do desagravamento.Já o Chega
propõe uma descida da taxa de IRS do segundo escalão para 15,7%, um
corte da taxa do terceiro degrau para 21,2%, um desagravamento da taxa
do quarto patamar para 24,1% e uma diminuição da taxa do quinto escalão
para 31,1%. Na sua iniciativa, já apontava a entrada em vigor destes
desagravamentos adicionais apenas para 2026.Durante
o debate de hoje, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento,
pediu “responsabilidade” aos partidos da oposição para garantir que a
redução chega ao bolso dos contribuintes o mais cedo possível.Para
o desagravamento ser sentido pelos contribuintes, o Ministério das
Finanças terá de aprovar novas tabelas de retenção na fonte, o que o
governante garantiu que o executivo fará.Joaquim
Miranda Sarmento defendeu que a redução deve ser refletida “na forma
mais imediata possível”, para antecipar a devolução do imposto aos
contribuintes, para que as famílias “não tenham que esperar” pela
liquidação do IRS no ano seguinte.