Redução da sazonalidade turística é principal desafio do Governo Regional açoriano
7 de mar. de 2024, 08:18
— Lusa/AO Online
“Penso
que o principal desafio que está sobre a mesa, agora, é efetivamente a
redução da sazonalidade”, disse hoje à agência Lusa a delegada nos
Açores da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Andreia Pavão.O
novo Governo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM, liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro, tomou posse na segunda-feira.Segundo
a responsável, em termos turísticos, este inverno a região teve “uma
redução substancial” dos lugares oferecidos para o principal mercado,
que é o mercado nacional, com a redução de voos da companhia aérea
Ryanair. “Já começamos a sentir, a partir do mês de dezembro, a redução de dormidas”, acrescentou.Ainda
de acordo Andreia Pavão, as estatísticas de passageiros apontam para
“vários acréscimos” que “têm a ver com o facto de, no caso do aeroporto
de Ponta Delgada, estar a ser usado como ‘hub’” e a estratégia da
principal companhia, a SATA, em que “há muitos passageiros que vêm de
rotas da América do Norte e que prosseguem para vários destinos da
Europa e Cabo Verde e afins, mas que não são passageiros, que ficam a
registar dormidas” no território.Mas,
acrescentou, “este acréscimo de passageiros, para o setor não é um
indicador que seja relevante, porque aqui, o que interessa, no fundo, é
quem é que está a deixar valor acrescentado na região, não só em
dormidas, como em ‘rent-a-car’, em restauração e animação”.“E
aí, já vimos, a partir de dezembro, esta quebra de dormidas, que está
necessariamente associada a esta redução de lugares oferecidos e esta
dependência que temos do mercado nacional nesta fase, que está a ser
verdadeiramente apoiada pelo facto de estarmos a crescer com o mercado
internacional e de mantermos rotas, nomeadamente [para] os Estados
Unidos e o Canadá, durante o inverno”, explicou.Na
opinião da delegada nos Açores da AHP, o grande desafio para o setor
turístico “é que se possa alargar as acessibilidades que existem durante
o verão IATA [sigla inglesa para Associação Internacional de Transporte
Aéreo, sendo que o verão IATA compreende os meses de abril a outubro],
para se prolongarem para o próximo inverno”.“Portanto,
acho que [para] a tutela deste setor, o principal desafio é
efetivamente este. É [que] esta boa performance que nós temos no verão,
que se possa alargar ao longo do ano e também que se possa fazer sentir
nas várias ilhas e que se estenda a esta mais valia que o turismo traz
para todo o território”, salientou.Para
Andreia Pavão, outros desafios para o setor do turismo açoriano são o
Plano de Ordenamento Turístico dos Açores (POTRA), “que continua ainda
em análise”, e o novo Plano Estratégico de Marketing para o Turismo nos
Açores, “que se prevê que fique em fase de implementação durante os
próximos anos”.Quanto à questão da taxa
turística que tem sido abordada através da Associação de Municípios, a
responsável considerou que o assunto “tem de ser muito bem ponderado e
pensado”.A AHP “tem-se manifestado sempre contra a implementação de taxas deste cariz e mantemos a posição”, disse.