Redução da mortalidade infantil abrandou, 4,9 milhões de crianças morreram em 2024
Hoje 10:26
— Lusa/AO Online
Segundo
o documento, desses 4,9 milhões de crianças, 2,3 milhões seriam
recém-nascidos e a maioria das mortes, adianta o documento, podia ter
sido evitada com intervenções preventivas e de baixo custo e acesso a
cuidados de saúde de qualidade.O relatório
“Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil”, indica que as mortes em
todo o mundo de menores de cinco anos caíram para menos de metade desde
2000. Mas a partir de 2015 o ritmo de redução diminuiu mais de 60%.“O
relatório deste ano fornece o retrato mais claro e detalhado até ao
momento de quantas crianças, adolescentes e jovens estão a morrer, onde
estão a morrer e – pela primeira vez – integra totalmente as estimativas
sobre as causas de morte”, refere a Organização Mundial de Saúde (OMS)
num comunicado sobre o relatório, que estima que em 2024 morreram 100
mil crianças (de um a 59 meses) por malnutrição aguda grave.Mas,
nota a OMS, o número será muito maior se forem tidos em conta os
efeitos indiretos, porque a malnutrição enfraquece a imunidade das
crianças, que ficam mais vulneráveis a doenças comuns da infância.
Paquistão, Somália e Sudão são dos países com mais casos.Segundo
o relatório, as mortes de recém-nascidos representam quase metade de
todas as mortes de crianças com menos de cinco anos, “refletindo um
progresso mais lento na prevenção de mortes no período perinatal”. Entre
as principais causas de morte de recém-nascidos estão as complicações
decorrentes do parto prematuro (36%) e as complicações durante o
trabalho de parto e o parto (21%). As infeções, incluindo a sépsis neonatal e as anomalias congénitas, também foram causas importantes. A
OMS explica ainda que após o primeiro mês as doenças infecciosas como a
malária, a diarreia e a pneumonia foram as principais causas de morte. A
malária continua a ser a principal causa de morte nesta faixa etária
(17%), com a maioria das mortes a acontecer em zonas endémicas da África
Subsariana. O relatório indica também que
as mortes infantis continuam fortemente concentradas num pequeno número
de regiões. Em 2024, a África Subsariana representou 58% de todas as
mortes de crianças com menos de cinco anos, metade delas devido a
doenças infecciosas. No sul da Ásia, que
representou 25% de todas as mortes de crianças com menos de cinco anos, a
mortalidade foi impulsionada principalmente por complicações no
primeiro mês de vida.A ONU refere que os
países mais frágeis e afetados por conflitos continuam a suportar uma
parte desproporcionada do fardo da mortalidade infantil, com as crianças
nascidas nestes contextos a terem quase três vezes mais probabilidades
de morrer antes de completarem cinco anos do que as nascidas noutros
locais. O relatório constata ainda que
cerca de 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre os 5 e os
24 anos morreram em 2024. As doenças infecciosas e as lesões continuam a
ser as principais causas de morte dos mais novos, enquanto os riscos se
alteram na adolescência: a automutilação é a principal causa de morte
entre as raparigas dos 15 aos 19 anos, e os acidentes de viação entre os
rapazes. No comunicado, a OMS nota que as
mudanças no panorama global do financiamento do desenvolvimento estão a
colocar os programas essenciais de saúde materna, neonatal e infantil
sob crescente pressão e salienta a importância dos investimentos em
saúde infantil, das vacinas ou do tratamento da malnutrição aguda. Cada
dólar investido na sobrevivência infantil pode gerar até vinte dólares
em benefícios sociais e económicos, acentua.A
ONU sugere que para salvar vidas os governos, doadores e parceiros
devem tornar prioritária a sobrevivência infantil, concentrar-se nos que
estão em maior risco, e investir em sistemas de cuidados de saúde
primários.