Redes sociais são principal fonte de informação em Portugal
15 de fev. de 2023, 11:10
— Lusa/AO Online
Tendo
por base 530 questionários válidos no âmbito de um estudo sobre o
impacto da desinformação em Portugal desenvolvido em 2022 pelo
Observatório Ibérico de Media Digitais (Iberifier), verifica-se que
77,6% da amostra aponta a ‘fraca qualidade do jornalismo’, nomeadamente
os ‘erros factuais’ e a ‘cobertura simplista’, como o tipo de
desinformação que mais identificaram no último mês.Já
72,1% sublinha o problema dos ‘factos parcialmente manipulados’, 48,5%
destaca as ‘manchetes que parecem notícias, mas são publicidade’, 29,7%
refere o ‘recurso ao termo ‘fake news’ (por políticos, por exemplo) para
desacreditar média que não lhes agradam’, 20,9% menciona as ‘notícias
completamente falsas com objetivos políticos ou comerciais’ e 12,9%
aponta os ‘artigos de teor humorístico que se assemelham a notícias
(sátiras)’.Entre os inquiridos pelo
Iberifier, 71,3% aponta a ‘política’ como sendo a área mais visada na
desinformação, enquanto 59,2% destaca a ‘guerra e os conflitos armados’
como o assunto mais frequentemente alvo de ‘fake news’ e 50,8% refere os
‘temas económicos’ como os mais afetados.Quando
questionados sobre as áreas em que a desinformação mais os preocupa,
84,0% elege a que tem origem no Governo, políticos e partidos e 79,0%
refere a que é disseminada pelos comentadores nas redes sociais,
enquanto 75,0% menciona a que parte dos jornalistas ou dos media e 72,0%
a proveniente de governos ou políticos internacionais.No
que se refere às plataformas de disseminação da falsa informação, 83,8%
manifesta apreensão com a difusão feita através das redes sociais (como
o Facebook, Twitter, Instagram ou YouTube), 68,6% aponta a divulgada
nos ‘sites’ ou ‘apps’ (aplicações) dos ‘social media’, 59,9% está
preocupado com a desinformação veiculada em motores de busca (como o
Google ou Bing) e 53,0% menciona as aplicações de mensagens
instantâneas, como o Whatsapp ou o Telegram.Do
inquérito resulta ainda que 72,0% dos inquiridos deixou de confiar num
meio de comunicação após ter detetado que este veiculou desinformação ou
notícias falsas, 23,8% diz que, na maior parte das vezes, não se pode
confiar nas notícias e 77,2% declara que não pode confiar na maior parte
da informação das redes sociais.Já 26,9%
dos inquiridos considera que, na maior parte das vezes, os media não são
confiáveis, 26,8% afirma o mesmo relativamente aos jornalistas e 55,9%
diz que as notícias constantes dos motores de busca não são, na sua
grande parte, fidedignas.Relativamente às
fontes em que mais confiam para obter informação ou saber mais sobre um
tema, 78,7% escolhe os cientistas e 56,2% os jornalistas, seguidos dos
médicos (39,6%), dos ativistas (14,7%) e dos comentadores (11,9%).Quanto
aos meios de comunicação aos quais mais recorrem para obter informação,
67,6% dos inquiridos refere a SIC Notícias, 61,6% o jornal Público,
61,3% a RTP1 e 53,1% o jornal Expresso. Segue-se a CNN Portugal (45,8%),
a RTP 3 (41,4%), a SIC (40,8%), o Observador (39,1%) e a rádio TSF
(34,0%).Promovido pela Comissão Europeia e
associado ao Observatório Europeu de Media Digitais (EDMO), o Iberifier
é um observatório de media digitais em Portugal e Espanha cujo objetivo
é o combate à desinformação.O projeto é
coordenado pela Universidade de Navarra, Espanha, mas tem como principal
parceiro o ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. No total, integra
12 universidades, cinco organizações de verificação e agências de
notícias (entre as quais a agência Lusa) e seis centros de investigação
multidisciplinares.