‘Redenção’: Novo álbum dos PMDS nasce da relação com São Miguel

Hoje 11:43 — Ana Carvalho Melo

Os PMDS, projeto de música eletrónica ambiente de Filipe Caetano e Pedro Sousa, lançaram a 1 de outubro o álbum “Redenção”, com vinil limitado a 200 cópias e concertos em Lisboa, Porto, Braga e, em janeiro, em São Miguel.O conceito de “Redenção” nasce da relação dos dois músicos com São Miguel, revisitando essa experiência e transformando-a em matéria sonora.O disco acompanha o percurso de quem cresceu na ilha, saiu para o continente e acabou por descobrir uma ligação que não se desfaz.“Quando somos novos, temos essa limitação e essa vontade de sair e nunca mais voltar. Depois, quando estamos fora, encontramos exatamente o oposto”, explica Filipe Caetano, em entrevista ao Açoriano Oriental.É a esse reencontro que a dupla chama “Redenção”. Filipe Caetano regressou à ilha em 2012, enquanto Pedro Sousa continua a viver em Lisboa, mas volta todos os meses para trabalhar. Para o músico, há uma “força gravítica” que os prende ao território, “mais do que a família”, e que os faz voltar sempre.Musicalmente, o álbum marca o regresso ao trabalho de estúdio, depois de “Música para Miradouros” (2023) ter sido gravado no local. O resultado é uma sonoridade mais densa, escura e texturizada, que a dupla diz não estar tão presente nos discos anteriores. O significado surgiu depois da música: “É muito natural deixar as coisas fluírem e depois arranjar um significado para elas.”“A condição insular surge aqui não apenas como cenário, mas como força moldadora de uma identidade em permanente diálogo entre a abertura e o isolamento. O resultado é um retrato sensorial da vida numa ilha, expansivo e libertador quando se abre ao mundo, introspetivo e melancólico quando se volta para dentro”, acrescenta.Os PMDS nasceram quando Filipe Caetano e Pedro Sousa, ambos de São Miguel, ainda estavam longe da música eletrónica. Pedro Sousa tocava guitarra e Filipe Caetano ouvia música. Em 2011, chegou o primeiro álbum.“Este projeto tem cerca de 15 anos. Eu e o Pedro nascemos os dois em São Miguel e como tínhamos muitas coisas parecidas, gostos extremamente similares, fomos sempre partilhando, para além dessa amizade, esse interesse comum. Depois começámos a fazer pequenas coisas, até que fizemos o primeiro álbum”, recorda Filipe Caetano.Ao primeiro álbum seguiram-se concertos até cerca de 2012, mas a vida adulta acabou por impor uma pausa. Entre 2012 e 2017, o projeto esteve completamente parado.O regresso da dupla deu-se em 2017, com um convite do festival Tremor para reativarem o projeto e prepararem um espetáculo. Ao fazê-lo, perceberam que ainda sabiam fazer aquilo e que gostavam.“Isto até é engraçado, a gente ainda sabe fazer isto”, foi o pensamento dos artistas, nesta altura, como revelou Filipe Caetano. A partir daí, o duo voltou ao ativo e lançou “Caloura” (2019), “Música para Miradouros” (2023) e, agora, “Redenção”.Filipe Caetano descreve a música dos PMDS como música ambiente, com uma construção próxima do tecno nos concertos, e resume-a numa frase: “música eletrónica para dançar sentado”.“Redenção” chegou a 1 de outubro a todas as plataformas digitais, depois de os singles “Inocência” e “Redenção” terem saído a 17 de setembro. O formato físico, um vinil limitado a 200 cópias, já pode ser encomendado e será entregue diretamente ou vendido em lojas de discos.Os PMDS apresentam “Redenção” em Lisboa, no BOTA, no dia 15 de outubro, seguindo-se os Maus Hábitos, no Porto, no dia 16, e o Piso, em Braga, no dia 17. A 24 de janeiro de 2027, o álbum regressa às origens, com uma apresentação nos Açores, no Arquipélago – Centro de Artes. Os bilhetes estão já disponíveis nos locais habituais.