Rede organizada terá extorquido mais de 30 vítimas através de meio informático
26 de ago. de 2025, 17:48
— Lusa/AO Online
“Estamos
a falar de uma rede bastante organizada, que se dedicava à extorsão,
através do meio informático. Falsificavam contas do ‘Facebook’ e também
do ‘WhatsApp’, e interagiam, com a falsidade presente, com potenciais
vítimas”, destacou o diretor da Polícia Judiciária (PJ) do Centro,
Avelino Lima.A PJ deteve sete
pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e 46 anos, em vários
pontos do país, por serem suspeitas da prática de crimes de extorsão
agravada e branqueamento de capitais.Em
conferência de imprensa, que decorreu em Coimbra, o diretor
da PJ do Centro explicou que as “vítimas incautas” acreditavam que
estavam numa interação legítima, com uma pessoa identificada e acabavam
por expor-se, partilhando imagens de cariz íntimo e de foro sexual.“A
partir daí, rapidamente tudo era cessado e avançava-se para a extorsão
muito agravada pelos valores, pela atuação em bando e, efetivamente,
lesaram cidadãos nacionais em valores bastante elevados”, acrescentou.Segundo Avelino Lima, nos autos da PJ terão sido identificados valores acima de meio milhão de euros.“Inicialmente
pediam um valor para medir também aquilo que é capacidade da vítima e
depois, acreditando a vítima que ficou resolvido o problema, o que não
ficou de forma alguma, vão crescendo os valores. Posso dizer que uma das
vítimas tem um valor muito próximo dos 200 mil euros”, descreveu.O
grupo organizado, constituído por cinco homens e duas mulheres, são
todos oriundos de uma nação pertencente aos Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa (PALOP), operando em Portugal e fazendo “uso de
números [de telemóvel] com o indicativo desse país”.“O
grupo conhecia-se, havia até entre alguns membros relações de
familiaridade e, efetivamente, aproveitaram os proventos financeiros
para os diluir pelo sistema financeiro e, assim, também cometeram, na
nossa perspetiva e do Ministério Público, o crime de branqueamento de
capitais, por o qual também estão indiciados”, sustentou.De acordo com Avelino Lima, ao todo já estão identificadas mais de 30 vítimas, essencialmente homens, todos maiores de idade.No
entanto, a PJ acredita que este número possa vir a crescer, admitindo
ainda a possibilidade de o número de elementos da rede também vir a
aumentar.“Estamos a falar de um grupo de
autores que vivia exclusivamente disto. Isto é uma atividade criminosa
bastante lucrativa, porque os recursos necessários é o que sabemos e,
efetivamente, os proventos são muito altos: é uma criminalidade de
difusão em massa de busca de potenciais vítimas”, indicou.Aos
jornalistas, disse ainda que “não raras vezes” as vítimas pensavam que
estavam “a falar com mulheres esbeltas e muito interessantes, na
perspetiva daquilo que é a relação social e a perspetiva das relações
entre homens e mulheres”.“Muitas vezes não
estão sequer em contacto com nenhuma mulher, estão em contacto com o
conteúdo digital. Ou seja, é uma realidade realmente que transcende
muito o conhecimento que a maior parte das pessoas tem e são essas
pessoas que acabam por ser as grandes vítimas”, alertou.A
operação policial, que levou à detenção de cinco homens e duas
mulheres, foi realizada hoje em Albufeira, Almada, Aveiro, Moita,
Montijo, Setúbal e Sintra, sendo executadas 14 buscas domiciliárias e
não domiciliárias.A investigação teve início em fevereiro, com a primeira denúncia deste grupo a ocorrer em Coimbra.