Rede nacional acolheu 625 pessoas na segunda vaga da pandemia
Violência doméstica
25 de nov. de 2020, 16:18
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, por ocasião do Dia Internacional para a
Eliminação da Violência contra as Mulheres, em que o governo divulga uma
nova campanha contra a violência doméstica, a secretária de Estado para
a Cidadania e a Igualdade revelou que nesta segunda vaga da pandemia de
covid-19, entre 28 de setembro e o dia 08 de novembro, a Rede Nacional
de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica acolheu 625 pessoas, entre
309 mulheres, 304 crianças e 12 homens.Além
disso, segundo Rosa Monteiro, foram feitos 12.419 atendimentos, o que
significa que, em média, a Rede fez quase 303 atendimentos por dia ao
longo destes 41 dias contabilizados na segunda vaga da pandemia.Entre
os mais de 12 mil atendimentos feitos neste período, a secretária de
Estado salientou que 503 deles eram “situações novas que chegaram pela
primeira vez às equipas de atendimento à procura de ajuda”.Durante
o mesmo período houve 150 pessoas que concluíram o seu processo de
autonomização, enquanto na primeira fase foram 370, mas dispersas por um
período temporal maior, entre 18 de março e 15 de junho.Já
durante a primeira vaga da pandemia, entre 18 de março e finais de
junho, a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica
(RNAVVD) acolheu 848 pessoas, entre 499 mulheres, 328 crianças e 21
homens, além de ter feito 24.692 atendimentos.Relativamente
à autonomização, Rosa Monteiro adiantou que nesta segunda vaga as
equipas relataram um maior apoio por parte das famílias no decorrer do
processo.“Talvez por um aumento da
responsabilidade, solidariedade e perceber que face a todas as
dificuldades da pandemia estas mulheres estão ainda numa situação mais
crítica e vulnerável”, apontou.Na opinião
da governante, esta rede informal de familiares “foi muito importante a
facilitar as autonomizações e as saídas destas mulheres das casas e
estruturas de acolhimento”“Mais um sinal de uma transformação que não queremos que pare aqui”, sublinhou a secretária de Estado.Rosa
Monteiro lembrou que existem atualmente 180 estruturas de atendimento
e, ao nível do acolhimento, 26 estruturas de emergência e 35 casas de
abrigo, revelando que em termos de vagas a situação é de
“tranquilidade”.“As duas estruturas de
emergência que criámos na primeira vaga da pandemia mantêm as portas
abertas e temos neste momento 56 vagas em casas de abrigo e 42 nas
estruturas de emergência”, adiantou.Acrescentou
que não é possível saber com exatidão a taxa de ocupação, uma vez que
desde o início da primeira vaga da pandemia as estruturas de acolhimento
foram obrigadas a adotar planos de contingência, o que reduziu a sua
capacidade efetiva. No entanto, em “condições de normalidade”, a rede
nacional tem 904 disponíveis.O dia de hoje
servirá também para a formalização do Pacto contra a Violência, que
será feito através de uma transmissão online, tratando-se de uma rede de
entidades que colaboraram na oferta de respostas de urgência e apoio a
trabalho da RNAVVD durante a pandemia de covid-19.Rosa
Monteiro explicou que pretende que mais empresas colaborem com a rede
nacional e que esse apoio pode materializar-se tanto na forma de
material informático, como bolsas de formação ou bolsas de empregoCom
esta iniciativa é também objetivo incentivar as empresas a recorrer ao
Guião de Boas Práticas: Prevenção e Combate à Violência contra as
Mulheres e à Violência Doméstica nas Entidades Empregadoras, elaborado
em novembro do ano passado.Os dados mais
recentes do Governo revelaram que a violência doméstica já matou 20
pessoas até ao dia 19 de novembro, 16 das quais mulheres.As
participações de crimes de violência doméstica cresceram entre julho e
setembro, com 8.228 ocorrências participadas à PSP e GNR, mais 1,12% do
que as 8.137 no período homólogo de 2019 e mais do que as 6.928
registadas no segundo trimestre de 2020.Também
o número de pessoas presas por crimes de violência doméstica aumentou,
assim como o de pessoas integradas em programas para agressores.