Rede Anti-Pobreza e entidades do ensino superior assinam declaração contra a pobreza
4 de jun. de 2025, 17:03
— Lusa/AO Online
“A partir de agora [as
entidades aderentes] vão elaborar ou completar os planos de ação que
têm”, para serem “agentes de ação na luta contra a pobreza”, explicou a presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza de Portugal, Maria
Joaquina Madeira, em declarações à Lusa. À
margem da conferência “O Combate à Pobreza como Desígnio Nacional: a
articulação com a Academia”, que decorreu em
Coimbra, a responsável frisou que as instituições de ensino superior
“não se devem limitar aos seus muros”, mas sim possuírem um papel
“dentro da comunidade”, no âmbito da mitigação da pobreza. A
declaração conjunta, firmada entre a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN,
na sigla em inglês), o Conselho de Reitores das Universidades
Portuguesas (CRUP), o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores
Politécnicos (CCISP) e a Associação Académica de Coimbra (AAC), possui
seis eixos principais de intervenção. Uma
das prioridades estratégicas é “garantir o acesso equitativo e digno ao
ensino superior”, sublinhou Maria Joaquina Madeira na assinatura do
documento, reforçando “a importância de políticas públicas que assegurem
a igualdade de oportunidade no acesso, permanência e sucesso académico,
especialmente os provenientes de contextos socioeconómicos mais
vulneráveis”. A declaração aborda ainda o
fortalecimento das redes de cooperação e o diálogo interinstitucional,
já que “apenas através de uma abordagem integrada será possível
enfrentar a complexidade da pobreza de forma eficaz e duradoura”. Destaque ainda para o compromisso com o financiamento sustentável. “A
resposta institucional ao problema da pobreza exige recursos estáveis,
previsíveis e suficientes, tanto para o funcionamentoto das instituições
como para a concretização de políticas inclusivas e eficazes”, apontou a
responsável. Potenciar o conhecimento
científico ao serviço da transformação social; valorizar a missão social
das instituições do ensino superior; e promover a participação
estudantil como motor da mudança são outros dos pontos. A
presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza de Portugal notou também o
papel central da academia na “construção de soluções sustentáveis,
informadas e justas, ao nível da sociedade”. À
Lusa, reforçou ser “indigno, numa sociedade democrática do século XXI,
ter um número de pessoas em registo de pobreza” como o atual. Segundo
o relatório “Portugal Balanço Social 2024”, o país tem feito uma
“trajetória positiva” no combate à pobreza, mas mais de dois milhões de
pessoas permanecem em risco de pobreza ou exclusão social. O
relatório, que procura ser um contributo para essa reflexão, é
apresentado hoje, em Lisboa, e começa por contextualizar a posição de
Portugal, salientando que, em 2023, o país “estava abaixo da média da
União Europeia nos principais indicadores de pobreza, exceto na taxa de
risco de pobreza”. Recorrendo a dados do
Eurostat (o gabinete de estatística da União Europeia), os
investigadores apontam que a taxa de risco de pobreza após
transferências sociais era de 17%, enquanto a média da União Europeia
(UE) era de 16,2%. Segundo o relatório, Portugal tem quase 1,8 milhões de pobres. Entre
os grupos mais vulneráveis estão os imigrantes, os idosos, as pessoas
com menos escolaridade e as que vivem em zonas rurais.