Redações de todo o mundo protestam contra assassínio de jornalistas em Gaza
1 de set. de 2025, 09:06
— Lusa/AO Online
Organizada
pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), pelo movimento de campanhas Avaaz
e pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), a ação é
apresentada como o primeiro “protesto editorial em grande escala” da
história moderna coordenado em simultâneo por redações em todos os
continentes.“Jornais impressos terão capas
inteiramente pretas com uma mensagem marcante. Emissoras de TV e rádio
interromperão a programação com uma declaração conjunta. Portais
‘online’ apagarão suas ‘homepages’ ou exibirão ‘banners’ em
solidariedade”, refere a organização, em comunicado. A
Lusa manterá em manchete na sua página online durante todo o dia uma
fotografia da guerra em Gaza com as palavras do diretor geral da RSF:
“Ao ritmo em que jornalistas estão a ser mortos em Gaza pelas forças de
defesa de Israel, em breve não haverá mais ninguém para manter o mundo
informado”.O número de jornalistas mortos
em Gaza ultrapassa os 210 desde 07 de outubro de 2023, segundo dados da
RSF, o que faz deste “o conflito mais letal para repórteres nos tempos
modernos”. A organização assinala que
“Israel tem impedido a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza há
quase dois anos, deixando apenas os jornalistas palestinianos para
reportar sob fogo”.Em declarações à Lusa, a
diretora de informação da agência de notícias portuguesa afirma que
esta "não podia ficar indiferente e junta-se assim a este protesto
mundial"."Como jornalistas, não podemos
assistir impávidos aos assassínios deliberados ou colaterais dos
jornalistas que, enfrentando todos os riscos e ameaças, deslocações
sistemáticas, fome e até a morte, testemunham e informam o mundo sobre o
que se está a passar em Gaza. Na sua guerra contra este enclave, Israel
também faz guerra ao jornalismo e ao direito a informar e de ser
informado", sustenta Luísa Meireles.A
agência aderiu à iniciativa "pelo jornalismo, pelo direito à informação,
pela liberdade de expressão, pelo acesso dos meios de comunicação
internacionais a Gaza" e "contra a guerra", disse.Contactado
pela Lusa, o diretor do jornal Público, David Pontes, destaca ser
"importante dar visibilidade à situação atroz a que têm sido sujeitos os
camaradas de profissão em Gaza". "O
eclipse da humanidade naquele território tem de ser reportado com
urgência, sob pena de não conseguirmos reunir forças para parar o terror
que vivem os civis palestinianos. É, da nossa parte, um gesto muito
pequeno perante as mortes heróicas de tantos jornalistas, que têm de
cessar. Cada um de nós tem obrigação de fazer algo para que isto pare",
referiu à Lusa.Citado no comunicado, o
diretor geral da RSF, Thibaut Bruttin, alerta que “não é apenas uma
guerra contra Gaza, é uma guerra contra o próprio jornalismo.
Jornalistas estão a ser mortos, alvo de ataques e difamados. Sem eles,
quem vai falar da fome, quem vai denunciar crimes de guerra, quem vai
expor genocídios", questiona.O diretor de
campanhas da Avaaz, Andrew Legon, diz que “Gaza se está a transformar
num cemitério de jornalistas” porque “o governo de extrema-direita de
Israel está a tentar concluir o massacre no escuro, sem o escrutínio da
imprensa”.“Se as últimas testemunhas forem
silenciadas, as mortes não cessarão - apenas deixarão de ser vistas. É
por isso que estamos unidos hoje: Não podemos e não vamos permitir que
isso aconteça", afirma.Por sua vez, o
secretário-geral da FIJ lembra que os jornalistas mortos "arriscaram
tudo para contar a verdade ao mundo e pagaram com a vida. O direito do
público à informação foi profundamente prejudicado por esta guerra.
Exigimos justiça e uma convenção internacional da ONU sobre a segurança e
a independência dos jornalistas”, diz Anthony Bellanger. Os
ataques mais recentes contra jornalistas em Gaza ocorreram em 25 de
agosto, quando forças israelitas bombardearam o complexo médico
al-Nasser – um conhecido ponto de encontro de repórteres - matando cinco
jornalistas. Duas semanas antes, outros seis jornalistas foram mortos
num único ataque.