Recurso às Forças Armadas para abastecimento é solução temporária

9 de jan. de 2020, 10:37 — Lusa/AO Online

"Esta resposta resolve, temporariamente, um problema que se agravou pelo mau tempo que se tem feitio sentir e que compreensivelmente tem gerado muita apreensão na população", considerou o deputado do PS/Açores Manuel Pereira, eleito pelas Flores, uma das ilhas mais fustigadas com a passagem, no começo de outubro do ano passado, do furacão Lorenzo.O parlamentar comentava, em nota enviada às redações, o anúncio do Governo Regional, liderado por Vasco Cordeiro, de que a Força Aérea e a Marinha vão, nos próximos dias, e de forma extraordinária, levar à ilha das Flores um total de 30 toneladas de mercadorias.Manuel Pereira nota que "as condições atmosféricas têm impedido o abastecimento da ilha das Flores, o que criou alguns problemas, numa situação já difícil para uma ilha que deixou de ter porto" após a passagem do furacão Lorenzo."Desde o furacão que o Governo dos Açores tem aproveitado todas as oportunidades para tentar normalizar a entrada e saída de mercadorias, tendo em conta a situação complexa que se vive nas Flores desde a destruição provocada pela passagem do Lorenzo", advoga o socialista.Durante esta semana, "na quinta ou na sexta-feira", a Força Aérea levará cinco toneladas de mercadoria para a ilha do grupo ocidental dos Açores e a Marinha está a tratar da "logística" para fazer uma viagem entre a Terceira e as Flores e aí levar 25 toneladas de mercadoria, declarou hoje o diretor regional dos Transportes, Pedro Silva."Está-se a identificar as mercadorias essenciais para a ilha [das Flores], para que, dentro dessa capacidade, se consiga fazer essa viagem. Temos a informação que estão disponíveis para fazer mais viagens caso necessário (...), são meios necessários que estão a ser utilizados", declarou aos jornalistas Pedro Silva.Será ainda avaliada a necessidade de bens na ilha do Corvo, também pertencente ao grupo ocidental dos Açores.A passagem do furacão Lorenzo pelos Açores, em outubro de 2019, causou a destruição total do Porto das Lajes das Flores, o que colocou em risco o abastecimento ao grupo ocidental.Nos últimos dias, diversos partidos chamaram a atenção para a falta de bens essenciais nas Flores, nomeadamente frescos e bens perecíveis.Ainda esta semana entrará ao serviço o navio “Malena”, fretado pelo Governo Regional por um período de três meses, com opção de extensão do prazo, que colmatará a ausência de chegada de mercadoria por via marítima - com recursos a tráfego local - à ilha das Flores. A última viagem foi realizada em 13 de dezembro de 2019, com as condições negativas do mar a impedir novas travessias.Durante a passagem do Lorenzo no arquipélago foram registadas 255 ocorrências e 53 pessoas tiveram de ser realojadas, num total de cerca de 330 milhões de euros de prejuízo, segundo o executivo açoriano