Reconhecimento de Israel pela Arábia Saudita seria “avanço histórico”
Médio Oriente
Hoje 15:39
— Lusa/AO Online
“Tal
como afirmou o Presidente [norte-americano Donald] Trump, a adesão da
Arábia Saudita aos Acordos de Abraão constituiria um avanço histórico
para a paz no Médio Oriente”, declarou o gabinete de Benjamin Netanyahu
num comunicado.A reação israelita surge
após o líder norte-americano ter afirmado na sua rede social, a Truth
Social, que o acordo, já aprovado pela Casa Branca, “está totalmente
condicionado à adesão da Arábia Saudita aos respeitados e bem-sucedidos
Acordos de Abraão”, acrescentando que "os Estados Unidos não se opõem às
instalações nucleares civis (não enriquecidas)".Trump
tem procurado alargar os Acordos de Abraão, lançados em 2020 durante o
seu primeiro mandato e que estabeleceram relações diplomáticas entre
Israel e vários países árabes. O governante considera a eventual adesão
da Arábia Saudita como um dos principais objetivos da sua política para o
Médio Oriente.Donald Trump garantiu que o
entendimento não permitirá o enriquecimento de urânio por parte da
Arábia Saudita, apesar das crescentes preocupações por parte dos
especialistas nucleares que alertam para a ausência de mecanismos de
salvaguarda que impeçam qualquer enriquecimento de urânio suscetível de
ser utilizado para fins militares.O acordo
foi anunciado na madrugada de quarta-feira, durante uma escalada do
conflito entre os Estados Unidos e o Irão, desencadeado no final de
fevereiro por ataques israelo-americanos contra Teerão, com o pretexto
de impedir que a República Islâmica se dotasse de armas nucleares.O
protocolo poderá gerar milhares de milhões de dólares para as empresas
norte-americanas e constituiria uma vitória para a Arábia Saudita, de
maioria sunita, face ao seu rival iraniano de longa data, liderado por
xiitas. O texto do acordo assinado pelo
secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, e pelo homólogo
saudita, o príncipe Abdelaziz ben Salmane, ainda tem de ser submetido ao
Congresso dos Estados Unidos, de maioria republicana.Este
acordo abre caminho à construção de centrais nucleares na Arábia
Saudita, que, neste momento, depende de centrais a gás e a petróleo para
a produção de eletricidade.Logo após o anúncio, as críticas centraram-se na possibilidade de Riade poder enriquecer urânio.O
Wall Street Journal tinha afirmado anteriormente que uma cláusula
previa a construção de um complexo de enriquecimento de urânio no reino
saudita, caso um estudo conjunto determinasse que tal se justificava. Na
quarta-feira, o secretário de Energia norte-americano limitou-se a
declarar que o acordo lançava "as bases jurídicas para uma parceria de
várias décadas" e respeitava "os mais elevados padrões em matéria de
segurança nuclear e não proliferação".Também
o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou hoje que
Riade pretendia desenvolver um programa nuclear "pacífico e civil" e
garantiu que o acordo incluía "garantias para assegurar que não possa
ser transformado num programa de armamento".Riade reivindica há muito o desenvolvimento desta tecnologia para fins civis.O
processo assemelha-se às ambições apresentadas pelo regime de Teerão,
que refuta qualquer intenção de se dotar de armas nucleares, mas invoca o
seu direito à energia nuclear civil.