Reclusos e guardas prisionais em Angra do Heroísmo sem água quente há três semanas
23 de mar. de 2023, 13:01
— Lusa/AO Online
“Os
nossos colegas não têm água quente vai para três semanas e os reclusos
também não têm água quente”, adiantou, em declarações à Lusa, o
coordenador de Lisboa e ilhas do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda
Prisional, Frederico Morais.Segundo o sindicalista, os reclusos têm de aquecer a água em chaleiras para fazerem a higiene pessoal. “Parece que estamos no tempo dos antepassados, em que tínhamos de aquecer a água no lume”, apontou.Questionada
pela Lusa, por escrito, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços
Prisionais (DGRSP) confirmou a avaria e disse que a cadeia aguarda por
uma peça para fazer a reparação das caleiras.“A
DGRSP informa que se avariou uma peça que alimenta o aquecimento da
caldeira do Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo. Peça essa
que, após a avaria, foi imediatamente encomendada, aguardando-se a sua
entrega e instalação”, adiantou fonte oficial da direção-geral.O sindicato alega que faltam também condições de segurança no estabelecimento, inaugurado em 2019.“Temos
dois reclusos que são violentos. Há um deles que se encontra fechado
numa cela 23 horas por dia, desde o mês de novembro, o que não é
correto. Se é para estar fechado, teria de estar numa secção de
segurança, porque não pode estar mais de 30 dias fechado numa cela de um
estabelecimento prisional”, alertou Frederico Morais.O
sindicalista acusou a direção do estabelecimento prisional de
“inércia”, por não fazer pressão junto da DGRSP para que o recluso em
causa seja “transferido para o continente, para uma secção de
segurança”.A Direção-Geral de Reinserção e
Serviços Prisionais garantiu, no entanto, que “a segurança e disciplina
do Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo estão garantidas”.“Todos
os reclusos, cujos comportamentos incorrem em infrações disciplinares
definidas na lei, são objeto dos procedimentos e sanções disciplinares
legalmente previstas, estando o estabelecimento prisional dotado de
celas disciplinares para o cumprimento das sanções de internamento em
cela de separação e em cela disciplinar”, frisou.Frederico
Morais alertou, por outro lado, para a falta de efetivos no
estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo e para as pressões
psicológicas a que os guardas prisionais estão sujeitos“Nessa cadeia foi onde registámos, no país, o primeiro caso oficial de ‘burnout’ dos guardas prisionais”, adiantou.A
falta de efetivos não é um problema exclusivo do estabelecimento de
Angra do Heroísmo, segundo o sindicalista, que aponta para a necessidade
de 1.000 guardas em todo o país.No entanto, há “um desgaste emocional” maior, devido à “pressão que a direção da cadeia tem sobre o corpo da guarda prisional”.“Apesar
de ser uma cadeia relativamente nova, a pressão psicológica que é
exercida sobre os elementos do corpo da guarda prisional é enorme”,
sublinhou.