Recluso internado depois de ter passado três dias numa cela sem roupa
30 de abr. de 2025, 17:35
— Lusa/AO Online
“Ele regressou do hospital quando teve alta e o
senhor diretor decidiu pô-lo numa cela sozinho, sem roupa, só com dois
cobertores e uma cama sem colchão”, afirmou, em declarações à Lusa, o
presidente do sindicato, Frederico Morais.A notícia foi avançada pela CNN Portugal, que revela que já foi apresentada uma queixa no Ministério Público.O
recluso, que sofrerá de "uma patologia do foro psiquiátrico", tinha
tido alta do hospital, onde foi internado nos cuidados intensivos,
depois de ter ateado fogo à sua cela, em meados deste mês.Na
altura, o incêndio obrigou outro recluso, com quem dividia cela, e
cinco guardas prisionais a receberem tratamento hospitalar.Aquando
do incêndio, Frederico Morais defendeu, em declarações à Lusa, que o
recluso devia ter sido “internado numa unidade especializada em
psiquiatria”.No entanto, quando teve alta,
regressou ao estabelecimento prisional e foi colocado numa cela
sozinho, sem direito a roupa ou colchão.“Os
guardas ficaram indignados. Deram-lhe banho, deram-lhe de comer e
fizeram pressão junto da enfermagem”, revelou Frederico Morais.Apesar
dos alertas dos guardas, o diretor do estabelecimento prisional
manteve-se “irredutível”, revelou o presidente do sindicato. Segundo
Frederico Morais, os guardas ainda lhe arranjaram um outro cobertor,
mas ao terceiro dia nestas condições o recluso acabou por ter de ser
internado nos cuidados intensivos do Hospital da Ilha Terceira, com
“hipotermia e batimentos cardíacos insuficientes”.“É uma situação desumana. Não compactuamos com isto”, frisou.O
dirigente sindical disse que já está tratada a transferência do recluso
para a clínica de psiquiatria do Estabelecimento Prisional de Santa
Cruz do Bispo, o que só poderá acontecer quando tiver alta do hospital.Frederico Morais tem já prevista uma visita ao Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo no próximo mês.“Temos receio de que possa haver vingança sobre o corpo da guarda prisional”, avançou.