Recinto do Parque Tejo-Trancão ganha forma a menos de quatro meses do evento
JMJ
19 de abr. de 2023, 10:15
— Lusa/AO Online
Em
contagem decrescente, são dezenas as máquinas que operam diariamente
nos cerca de 100 hectares que compõem o Parque Tejo-Trancão, nos
concelhos de Lisboa e de Loures, e que em agosto serão ocupados por
milhares de jovens peregrinos vindos de todo o mundo.Como
constatou a Lusa no local, tanto do lado de Lisboa como de Loures
ultimam-se ainda os trabalhos de terraplanagem dos terrenos, de forma a
abrir caminhos e criar as condições para que ali sejam instaladas
infraestruturas sanitárias, de água, de eletricidade e de internet.Do
lado de Lisboa, onde a maioria dos talhões (cada um equivalente a um
campo de futebol) já se assemelha a um prado verde, decorre também a
construção de uma ponte pedonal e ciclável, que unirá as duas margens do
Trancão, e do altar-palco, cujo projeto teve de ser revisto e
redimensionado, devido às críticas em relação ao valor.A
ponte ciclável, da responsabilidade da EMEL (Empresa de Mobilidade e
Estacionamento de Lisboa), representa um investimento de 4,2 milhões de
euros e deverá estar concluída em maio, segundo perspetiva a Câmara de
Lisboa.Já o altar-palco, orçamentado inicialmente em 4,2 milhões de euros, irá ter um custo total de 2,9 milhões de euros.Um
dos projetos que foi equacionado, mas que acabou por ser descartado
pelas Câmaras de Lisboa e Loures, foi a colocação de uma ponte militar,
que representaria um investimento de cerca de um milhão de euros,
suportado a meias pelos dois municípios.Em
declarações à agência Lusa, o vice-presidente da Câmara Municipal de
Lisboa, Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP), explicou que seria uma
infraestrutura “desnecessária” e de “uma exigência grande em termos de
investimento”.“Seria um investimento que
teria de ser desfeito no dia a seguir ao evento. Portanto, tudo
ponderado optou-se por não avançar”, justificou.Na
semana passada, também em declarações à Lusa, a vice-presidente da
Câmara Municipal de Loures, Sónia Paixão (PS) já tinha adiantado que
este projeto seria descartado, alegando que não justificaria o
investimento.Sobre os trabalhos que
decorrem no Parque Tejo-Trancão do lado de Lisboa, Filipe Anacoreta
Correia fez um balanço “muito positivo”, prevendo que estes possam estar
concluídos “até antes do inicialmente previsto”.“Acreditamos
que, no final deste mês, esta empreitada, da terraplanagem, da
preparação das infraestruturas de todo este imenso terreno esteja
concluído. Depois, há outras obras. Há o altar. Nós acreditamos que,
muito antes da Jornada Mundial da Juventude começar, nós teremos todas
as obras concluídas”, perspetivou o autarca. No
entanto, o responsável pelo pelouro da JMJ na Câmara de Lisboa destacou
a “dimensão” e “exigências” dos trabalhos, adiantando que as
empreitadas “mais estruturais” estão adjudicadas e em processo de
conclusão.“Digamos que, da parte da
Câmara, no trabalho essencial, fazemos uma avaliação francamente
positiva. Agora é preciso o evento acontecer. É preciso ligar as peças
todas e esta é uma altura que o nervo começa a vir ao de cima e nós
temos a noção que este evento obriga a uma mobilização total”, apontou.Apesar
de ressalvar que confia “no trabalho das outras entidades”, o
vice-presidente da Câmara de Lisboa manifestou-se “ansioso” com a
divulgação dos planos de mobilidade (já foi apresentada a primeira de
três fases), de saúde e de segurança, da responsabilidade do Governo,
para ultimar “outros pormenores”.“É
preciso responder na área da saúde, dar respostas na área da mobilidade.
Não podemos estar com improvisos. E nós, na Câmara de Lisboa, estamos
também ansiosos por ver essa resposta e essa concretização”, sublinhou.Na
margem norte do Trancão, do lado de Loures, os trabalhos nos 75
hectares do recinto arrancaram no início do mês e, segundo disse à Lusa a
vice-presidente da Câmara Municipal de Loures, Sónia Paixão, “decorrem a
bom ritmo”, perspetivando-se que estejam concluídos em junho.“Estamos
num processo de desmatação, de nivelação dos terrenos. A preparar tudo
para ficar com as condições necessárias para o acolhimento dos
peregrinos. Vão ser feitos os setores e os caminhos. Estamos a falar de
mais de 50 setores que serão aqui desenhados”, descreveu a autarca.Sónia
Paixão explicou que, do lado de Loures, os trabalhos são de “escassa
complexidade técnica” e que, por isso, “os 90 dias são o prazo
suficiente para garantir a sua execução”.“A
empresa que está contratada colocou aqui um conjunto muito
significativo de meios. Estamos a falar de mais de 30 camiões, mais de
30 máquinas, num total de 70 homens, que estão aqui diariamente. É uma
obra que se vai realizar ininterruptamente”, sublinhou.Lisboa
foi a cidade escolhida pelo Papa Francisco para a próxima edição da
Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer entre os dias 01 e 06 de
agosto deste ano, com as principais cerimónias a terem lugar no Parque
Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em
terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures.A
JMJ nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do
encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.A
primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, tendo já passado por Buenos
Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver
(1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002),
Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013),
Cracóvia (2016) e Panamá (2019).A edição
deste ano, que será encerrada pelo Papa, esteve inicialmente prevista
para 2022, mas foi adiada devido à pandemia de covid-19.O
Papa Francisco foi a primeira pessoa a inscrever-se na JMJLisboa2023,
no dia 23 de outubro de 2022, no Vaticano, após a celebração do Angelus.
Este gesto marcou a abertura mundial das inscrições para o encontro
mundial de jovens com o Papa.Até ao momento já iniciaram o processo de inscrição mais de meio milhão de jovens.