Rastreios alertam para Cancro de Cabeça e Pescoço que mata três portugueses por dia
16 de set. de 2019, 13:08
— Lusa/AO Online
“Morrem três portugueses por dia com esta
doença e aquilo que nós queremos é que sejam diagnosticados mais cedo”,
afirmou aos jornalistas a presidente do Grupo de Estudos de Cancro de
Cabeça e Pescoço, Ana Castro, que está a realizar os rastreios numa
carrinha junto ao Terminal Fluvial do Cais do Sodré.A
médica explicou que quanto mais cedo o cancro for diagnosticado maior é
a probabilidade de cura: “Nós conseguimos curar 90% dos doentes nessa
fase e se diagnosticarmos muito tarde vamos conseguir curar apenas cerca
de 20%”. Ana Castro destacou como
“muito positivo” no combate a esta doença a entrada de médicos dentistas
no Serviço Nacional de Saúde, porque “permite a mais gente ter acesso a
cuidados de saúde oral”, um dos fatores de risco do Cancro de Cabeça e
Pescoço. Existe também um programa para
formação de farmacêuticos, que em muitas zonas do interior do país são a
“primeira porta dos doentes”. É importante que consigam reconhecer esta
doença e saibam para onde podem reencaminhar o doente, referiu Ana
Castro. Presente na iniciativa, a
ministra da Saúde, Marta Temido, considerou que este tipo de campanhas
são “absolutamente fundamentais” para “sensibilizar a população para a
necessidade de estar atento às alterações da sua cavidade oral” e se
queixarem aos profissionais de saúde quando detetarem alguma alteração.
A ministra salientou também o “esforço significativo” feito ao nível
da saúde oral com “a colocação de médicos dentistas nos centros de
saúde”, além do cheque-dentista. “Se o
médico dentista que está no centro de saúde identificar qualquer lesão
indiciadora de que algo vai menos bem pode referenciar o utente para o
médico hospitalar e isso tem permitido identificar lesões malignas e
proceder a tratamento com maior celeridade”, sublinhou.
Segundo a ministra, quase metade dos agrupamentos de centros de saúde
têm cobertura de saúde oral. Na região de Lisboa e Vale do Tejo “o
progresso foi muito rápido”, mas “há outras zonas do país onde temos de
acelerar a velocidade”. O papel do
dentista na prevenção e no diagnóstico precoce desta doença também foi
realçado por Filipe Freitas, da Ordem dos Médicos Dentistas.
“No nosso contacto regular com o doente estamos numa posição
privilegiada para idealmente, a cada seis meses, podermos identificar
lesões numa fase inicial”, disse Filipe Freitas, do grupo de
acompanhamento do PIPCO – Projeto de Intervenção Precoce do Cancro Oral,
que já detetou, desde a sua implementação em março de 2014 até março
deste, 440 lesões malignas ou pré-malignas.
Bárbara Cruz, 23 anos, foi das primeiras pessoas a realizar o
rastreio na carrinha estacionada no Cais do Sodré, onde estavam a ser
distribuídos panfletos sobre a doença, que atinge cerca de 3.000 pessoas
por ano em Portugal. Em declarações à
agência Lusa, a jovem disse que soube que estava a ser realizado um
rastreio e, apesar de se sentir bem, decidiu fazer. “Estava aqui perto e
porque não”, disse. “É um rastreio
fácil, rápido, não é agressivo e os especialistas são acessíveis, por
isso não há que ter receio”, disse Bárbara Cruz, considerando que todas
as pessoas o deviam realizar, independentemente da idade.
A médica Ana Castro alertou para os fatores de risco desta doença,
nomeadamente o tabaco, o consumo do álcool, uma má higiene oral,
próteses dentárias mal-adaptadas e a infeção pelo HVP.
As pessoas devem estar atentas a sintomas como dor de garganta,
rouquidão persistente, língua dorida, manchas vermelhas ou brancas em
toda a cavidade oral, dificuldade em engolir, nódulo no pescoço, nariz
entupido e sangramento oral que permaneçam durante três semanas.