Rastreio do Cancro do Pulmão na Região arranca no primeiro trimestre de 2026
3 de jan. de 2026, 11:14
— Filipe Torres
O rastreio organizado do cancro do pulmão nos Açores deverá avançar no primeiro trimestre de 2026, através de um projeto-piloto nas ilhas Terceira e São Miguel, segundo confirmou o Governo Regional dos Açores em resposta a um requerimento do Partido Socialista.De acordo com o executivo, a plataforma informática já está adjudicada e deverá ficar concluída no prazo de 60 dias, estando ainda em curso os procedimentos de contratação de serviços necessários, com conclusão prevista para o início de 2026. O Governo justifica os atrasos com a complexidade clínica, organizacional e financeira do rastreio, sublinhando a necessidade de garantir todo o circuito assistencial, desde a seleção da população de risco até ao diagnóstico, tratamento e eventual cirurgia.O Executivo lembra ainda que não existe atualmente em Portugal um programa regional ou nacional de rastreio populacional do cancro do pulmão.Paralelamente, foi apresentado o Manual do Projeto-Piloto de Rastreio do Cancro do Pulmão, coordenado pelo Centro de Oncologia dos Açores, que estabelece as bases técnicas e operacionais do programa. Segundo o documento, o projeto terá a duração de dois anos, com início formal previsto para 2 de janeiro de 2026, podendo a implementação ser faseada, em função das limitações de capacidade hospitalar, nomeadamente no Hospital de Ponta Delgada.O rastreio será realizado através de TAC de baixa dose, em ambiente hospitalar, e dirigido a utentes entre os 50 e os 74 anos, fumadores ativos ou ex-fumadores há menos de 15 anos, com carga tabágica igual ou superior a 20 Unidades Maço Ano (UMA), ou seja, quem fumar pelo menos o equivalente a um maço por dia durante 20 anos.Segundo o documento, estima-se que o universo potencial do projeto-piloto nas ilhas Terceira e de São Miguel possa abranger cerca de 9.700 utentes, resultante da aplicação de uma taxa de participação estimada de 70% a uma população de risco correspondente a cerca de 15% da população residente. Deste total, prevê-se aproximadamente 2.700 utentes na ilha Terceira e cerca de 7.000 em São Miguel, valores que poderão variar em função da adesão efetiva da população e da capacidade de resposta hospitalar.Os exames terão leitura dupla por radiologistas, com basena classificação internacional Lung-RADS, prevendo-se o encaminhamento rápido dos casos suspeitos para consultas hospitalares de pneumologia, exames complementares e tratamento.O Governo afirma que o impacto do rastreio na deteção precoce e na redução da mortalidade só poderá ser avaliado após a execução do projeto-piloto, garantindo que estão em curso aquisições de equipamentos, contratação de serviços externos, incluindo PET e cirurgia torácica, e processos de formação dos profissionais envolvidos.