Rap e Constituição é possível: jovens reinventam 25 de Abril
Hoje 11:30
— Daniela Arruda
O sol apareceu para assinalar os 52 anos da Revolução de 25 de Abril, em Ponta Delgada, onde as Portas da Cidade foram palco de muitas vozes que celebram a liberdade e que não deixam esquecer as conquistas de Abril. Várias foram as palavras de ordem, bem como as canções. Mas a festa da democracia ganhou ontem um novo fôlego com a participação ativa de vários jovens que trouxeram criatividade e novas formas de expressão à Constituição.Um dos momentos protagonizados pelos mais novos foi a Comunidade Constituinte, onde jovens, em colaboração com a Associação PLUGG, transformaram artigos da Constituição em rap, lírica e beatbox. Para criar esta apresentação, eles foram obrigados a abrir o documento, interpretá-lo e depois dar-lhe voz própria.Dryelle Andrade, da Associação PLUGG e professora de História, explicou que o objetivo era que os jovens criassem algo a partir da leitura da Constituição, escolheram os artigos que gostaram mais para que servissem de base para a criação das letras, poesia e até de um manifesto.Houve também música com a DJ MOLINA, de 16 anos, que apresentou um set inspirado nas sonoridades de países como Cabo Verde, Angola e Moçambique e, claro, de Portugal. Para a jovem, celebrar Abril é também recordar as ligações históricas e dar espaço às diferentes raízes culturais. Além da homenagem às antigas colónias, quis também incluir a memória do avô, um militar que esteve envolvido na revolução.Enquanto os jovens assumiam o palco, ouvia-se no público comentários sobre o que estava a acontecer: “Que espetáculo, que bom” e ainda “isto agora deu-me esperança”.A participação dos jovens foi muito bem recebida pelo público, foi vista com satisfação. Para Iva Matos é importante dar voz aos mais novos num contexto marcado por muita desinformação, populismo e demagogia. Na sua perspetiva, ouvir os jovens traz novas formas de ver e afirmar a verdade.Também Joana Borges Coutinho, da Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril em Ponta Delgada, considera que envolver as novas gerações na associação e na celebração dos valores de Abril é um caminho que deve ser seguido. Uma vez que, para si, é essencial promover o diálogo entre diferentes idades e realidades, como a de quem cresceu sempre em liberdade e como a de quem um dia já viveu sob uma ditadura.Dryelle Andrade lembrou que a política está presente em tudo, no que se consome, no que se ouve, nas decisões do dia a dia e que, por isso, aproximar os jovens da política é muito importante. Além disso, sublinhou ainda que são estes jovens que irão viver mais tempo sob as leis atuais e, possivelmente, até assumir papéis de decisão no futuro.Por isso, conhecer a forma como funciona o Estado, o impacto da Constituição, que assinala este ano 50 anos, e as especificidades de viver numa região autónoma como é o caso dos Açores, é fundamental para formar cidadãos mais conscientes e capazes de intervir: “Eu acho que faz com que enriqueça mais os jovens, em relação a ser um jovem politizado, lutar também pelos seus direitos e fazer os seus deveres”.