Rangel descarta qualquer envolvimento militar de Portugal no estreito de Ormuz
Irão
Hoje 17:43
— Lusa/AO Online
“Portugal não está, nem vai estar, envolvido neste conflito”, afirmou Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos chefes da diplomacia da UE, em Bruxelas.O ministro afirmou que “tudo aquilo que se possa fazer para desobstruir o estreito de Ormuz e permitir a liberdade de navegação é positivo”.“Há imensas coisas que se podem fazer no plano político, diplomático. É nesse plano que Portugal está e que estará também, julgo eu, a União Europeia”, referiu.O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que, entre os homólogos da UE, há um “amplo consenso” quanto à ideia de que devem ser feitos esforços para “superar este bloqueio ou manipulação de liberdade de navegação” no estreito de Ormuz, mas sem recorrer a qualquer opção militar.“Todos estão dispostos, especialmente aqueles que mais meios têm – e quando digo meios, digo também meios diplomáticos – a cooperar nesse sentido. Agora, evidentemente, isso não implica uma deslocação de meios militares para a região e, especialmente, para o estreito de Ormuz”, referiu.Questionado se Portugal apoia uma eventual mobilização da missão da UE Aspides, que escolta atualmente navios comerciais e mercantes no mar Vermelho, para o estreito de Ormuz, Rangel referiu que tanto essa missão como a Atalanta, que opera no oceano Índico, “podem ter algum reforço”.“Mas são missões de tipo diferente e, portanto, é no seu quadro que tem de ser visto. Não é com certeza no quadro deste conflito, para o qual essas missões não foram desenhadas”, afirmou.Interrogado assim se Portugal não vai responder ao repto do Presidente norte-americano, Donald Trump, que avisou que a NATO teria um “futuro muito mau” se os aliados não ajudarem a abrir o estreito de Ormuz, Rangel respondeu: “Sim”.“Aquilo que eu posso dizer é que nós não vamos participar neste conflito, isso está muito claro desde o início”, disse, afirmando não temer uma repercussão desta posição na NATO.“A nossa posição está clara, é conhecida de todos os participantes no conflito e da comunidade internacional em geral e, portanto, quanto a isso, eu estou tranquilo”, afirmou.Depois de, esta manhã, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão ter indicado que os Estados Unidos e Israel ainda têm de explicar quais são os objetivos desta guerra, Rangel foi questionado se já consegue perceber esses objetivos.O ministro respondeu que Portugal já adotou a sua “posição de princípio” sobre o conflito, designadamente que é favorável à via negocial, apesar de compreender que “era uma via difícil” e “que o Irão é uma grave ameaça”.“Como, aliás, se viu. Quando o Irão respondeu contra os países que são vizinhos, que não estavam envolvidos e que alguns até tinham sido bastante duros a condenar justamente essa intervenção [dos Estados Unidos e Israel], isso demonstra que o Irão não é um país confiável”, disse, recusando que esses ataques do Irão possam ser considerados como uma resposta aos bombardeamentos norte-americanos e israelitas.“Não respondeu, quando ataca Estados terceiros, está a fazer ataques. Responde quando responde contra aqueles que o atacaram. Os que estão num conflito, têm um estatuto, os que estão fora, têm outro, são Estados terceiros”, disse, frisando que “o regime do Irão provou ser um regime perigoso”.Sobre se Portugal mantém canais diplomáticos abertos com o Irão, Rangel disse que esses canais “estão sempre abertos”.Questionado se já fez diligências junto de Teerão para perceber se consideram Portugal um país inimigo, uma vez que o Governo iraniano já indicou que permitirá o trânsito pelo estreito de Ormuz a países que não considere adversários, Rangel respondeu que a diplomacia “exige recato”.“Portanto, eu tenho de invocar esse estatuto quando falamos de algumas das conversações que temos mantido”, indicou.