Rangel considera que utilização das Lajes pelos EUA tem sido ínfima
Hoje 09:23
— Lusa/AO Online
"A utilização é ínfima,
se pensarmos na escala da presença de forças dos EUA e todos os seus
recursos na região [do Médio Oriente], estamos a falar de uma presença
que não é muito relevante", referiu Rangel, no Programa Grande
Entrevista da RTP, de Vítor Gonçalves.O
chefe da diplomacia portuguesa lembrou que a autorização portuguesa para
a utilização da base nos Açores pelos norte-americanos está
condicionada a que o material que passe pela base seja apenas utilizado
como resposta a ataques, de forma proporcional e necessária e apenas
contra alvos militares.E realçou ainda que o acordo com os EUA sobre a Base das Lajes está consensualizada pelas grandes forças políticas portugueses."Recebemos
do PS e do Chega o acordo da condicionalidade que foi posta. Nenhum
disse que estava contra nestas condições", apontou.Ainda
sobre o uso da infraestrutura pelos EUA para o conflito com o Irão,
Rangel considerou que o Governo tem "todas as condições para acreditar"
que têm sido cumpridas as condicionantes colocadas a Washington.Questionado
sobre as críticas do Governo norte-americano liderado por Donald Trump
aos aliados da NATO pela falta de ajuda na guerra com o Irão, o ministro
dos Negócios Estrangeiros considerou essas posições injustas."Esta
operação não foi comunicada aos aliados antes de ocorrer, não tiveram
oportunidade de criar uma posição previa sobre esta matéria. Parece
demasiado estar a pedir que tivessem uma posição totalmente alinhada",
detalhou Paulo Rangel.Para o chefe da
diplomacia portuguesa, apesar das divergências que possam existir entre
membros da Aliança Atlântica, a "questão da fiabilidade dos objetivos e
missão da NATO não está em causa".Ainda
sobre o conflito no Médio Oriente, Paulo Rangel adiantou que o Governo
português tem realizado um "trabalho diplomático muito intenso",
mostrando-se expectante relativamente à atual fase de cessar-fogo, por
entender que as duas partes "perceberam que esta situação [de guerra]
não traz vantagem"."Portugal foi sempre
muito claro, não apoia e não subscreve o conflito, [e] também o ataque
que o desencadeou, e apoia esforços diplomáticos. (…) A nós
interessa-nos essencialmente que se possa atingir um cessar-fogo
duradouro que leve a criar condições para uma negociação pela paz que as
duas partes possam aceitar", frisou.Rangel
considerou também que os atuais conflitos deixam o mundo num "momento
desafiante", em que é colocado em causa o multilateralismo, o papel da
ONU ou do direito internacional, garantindo que Portugal "não desiste"
destes valores.