Rangel admite que EUA podem usar Lajes para ataque sem avisar Portugal
Hoje 12:12
— Lusa/AO Online
Em declarações aos
jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios
Estrangeiros da União Europeia (UE), em Bruxelas, Paulo Rangel foi
questionado se Portugal autorizou formalmente a utilização da Base das
Lajes no contexto de uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra
o Irão.Na resposta, o ministro dos
Negócios Estrangeiros salientou que “o uso da Base das Lajes pelos
Estados Unidos tem sido feito exclusivamente, e como tem de ser, de
acordo com o tratado que existe entre os dois países”.“É
apenas relativo ao sobrevoo, estacionamento, eventualmente à escala de
aeronaves e essa tem sido autorizada nos termos gerais do acordo”,
afirmou, recordando que esse acordo prevê “autorizações tácitas, que são
dadas com um prazo relativamente curso”.Rangel
admitiu que, nuas últimas semanas, o recurso a essas autorizações
tácitas tem sido “maior do que tem sido habitual”, mas salientou que
isso já aconteceu “mais do que uma vez” desde que assumiu o cargo de
ministro dos Negócios Estrangeiros, em abril de 2024.“Não
há nenhum quadro que não seja o quadro geral. E, portanto, qualquer
outra operação, essa não tem de ser nem autorizada, nem conhecida, nem
comunicada por Portugal. Nunca foi e não era agora que ia ser”, afirmou.
Interrogado se isso significa que os
Estados Unidos, no âmbito desse tratado, podem usar a Base das Lajes
para uma operação no Irão sem que Portugal tenha conhecimento, Paulo
Rangel respondeu: “Exatamente, isso é verdade”.“Podem,
para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso
é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas
as bases europeias, dos mais variados países”, referiu.Questionado
assim se Portugal não vê qualquer problema em que os Estados Unidos
utilizem a Base das Lajes para uma operação contra o Irão, o ministro
respondeu que “Portugal tem feito um apelo sistemático, também na
questão do Irão, a que as questões e as diferenças se resolvam pela vida
da paz”.“Essa tem sido a posição de Portugal e continua a ser”, afirmou.
O Governo vai “cumprir o acordo das Lajes até
ao fim”, afirmou quando questionado se poderia garantir que os EUA não
utilizarão a base para violar o direito internacional.“Nós
temos de cumprir o direito internacional e cumprir o Acordo das Lajes.
Isso nós vamos cumpri-lo. Ele tem estas regras, são as regras que sempre
teve ao longo de décadas e décadas”, referiu, reiterando que os Estados
Unidos “usam a Base das Lajes nos termos do acordo que têm Portugal”,
assim como o fazem “em várias bases na Europa, em vários países”.“É
isso que vai acontecer e não tem nada a ver com o enquadramento que,
depois, os Estados Unidos dão a qualquer operação que venham a
desenvolver, seja ela qual for”, disse.Rangel
defendeu que a aliança transatlântica “não é uma coisa nova” para
Portugal, “é uma coisa para manter”, frisando que essa questão não muda
“com as mudanças geopolíticas”.Questionado
sobre as novas tarifas impostas por Donald Trump, após o Supremo
Tribunal ter determinado o chumbo das precedentes que tinha aplicado,
Rangel disse que o Governo “se revê completamente” na posição assumida
pela Comissão Europeia.“É preciso que a
administração norte-americana defina com clareza qual é o regime que
está a aplicar, porque justamente, desse anúncio que foi feito e até
reforçado, ao se passar de nível 10% para 15%, não fica claro se aquele
acordo que tinha sido conseguido na Escócia entre a UE e os Estados
Unidos está intacto ou não”, disse, pedindo que a administração
norte-americana faça “essa clarificação”.