Um
dos ramos trazia uma mensagem, escrita à mão: “Descansem em paz”. A
mulher que as depositou no passeio junto ao quiosque frente ao Palácio
Foz esteve breves momentos no local, visivelmente emocionada, não
prestando declarações.Um jovem, minutos
antes, também tinha deixado um ramo de flores brancas e ao ver
jornalistas a aproximar acenou que não com a cabeça deixando antever que
estava a prestar uma homenagem e não queria falar.A
polícia demarcou um perímetro de segurança junto ao local onde ainda
estão os dois ascensores: o que descarrilou que se encontra desfeito com
peças amontoadas de encontro ao edifício cor-de-rosa em que embateu, e o
que iria subir para o Bairro Alto, parte fora do carril.Além
dos jornalistas, muitos dos quais estrangeiros, encontravam-se durante a
manhã junto à zona do acidente elementos da PSP, Sapadores de
Bombeiros, Instituto Nacional de Emergência Médica, Proteção Civil,
Polícia Judiciária e Polícia Municipal.Ainda
durante a manhã deslocou-se ao local o Diretor Nacional da Polícia
Judiciária (PJ), Luís Neves, acompanhado pelo diretor da PJ de Lisboa,
João Oliveira, que também não prestaram declarações.A
espaços, os Sapadores Bombeiros e elementos da Proteção Civil de Lisboa
movimentavam-se na calçada da Glória, para junto do ascensor
acidentado, enquanto peritos das diversas autoridades estiveram junto
aos dois elevadores e retiraram uma pequena caixa negra de cada um.Ao
princípio da tarde, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes
com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), em conjunto com
outras entidades, concluiu as perícias no local do descarrilamento do
elevador, remetendo informações para sexta-feira.O
trânsito já circula na Avenida da Liberdade, exceto na lateral junto à
Calçada da Glória, mas os condutores abrandam à passagem para ver o que
se vislumbra agora do elétrico amarelo, um dos símbolos turísticos da
cidade de Lisboa.Durante a manhã foram
muitos os curiosos, nacionais e turistas, que se deslocaram à Praça dos
Restauradores. Alguns foram de propósito para ver os destroços, oriundos
de zonas de fora de Lisboa, outros passavam com expressões de choque e
perplexidade, e outros ainda filmavam com os telemóveis em punho.
Entretanto, depois de uma primeira análise ao edifício em que embateu o
ascensor, fonte da Proteção Civil de Lisboa disse à Lusa que
“aparentemente o prédio apenas apresentava alguns danos
subsuperficiais”, por aquilo que era “possível observar pelo exterior”. A
mesma fonte adiantou que, assim que possível, será feita “uma avaliação
mais cuidada”.O presidente da Câmara de
Lisboa, Carlos Moedas (PSD), disse hoje que pediu à empresa municipal
Carris para que seja realizada “uma investigação externa independente”,
além do inquérito interno, para apurar as responsabilidades.O
autarca de Lisboa falava na residência oficial do primeiro-ministro,
numa declaração curta aos jornalistas, sem responder a
questões, após participar na reunião do Conselho de Ministros, a convite
do chefe do Governo, Luís Montenegro (PSD).“Tudo o que se possa dizer neste
momento é mera especulação. A cidade precisa de respostas. Sou, em nome
dos lisboetas, o primeiro interessado em que tudo, tudo, seja apurado",
afirmou Carlos Moedas, referindo que pediu ao presidente da Carris que,
além de uma investigação interna, abrisse "uma investigação externa
independente que apure todas as responsabilidades no mais curto espaço
de tempo".O Governo decretou um dia de luto nacional, nesta quinta-feira.O
elevador da Glória é gerido pela Carris, liga os Restauradores ao
Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, num percurso de cerca
de 265 metros e é muito procurado por turistas.