Raimundo responsabiliza políticas do PS por injustiças disfarçadas de crise
PCP
13 de nov. de 2022, 20:39
— Lusa /AO Online
“A isto não se chama crise, isto tem outro nome: injustiça”, alertou Paulo Raimundo na primeira intervenção que fez como secretário-geral comunista, recusando que o país seja pobre.Em pouco mais de 30 minutos, o novo secretário-geral do PCP, que foi eleito na noite de sábado por unanimidade (mas não participou na própria eleição), rejeitou que haja uma crise socioeconómica quando há “um punhado” que está a “lucrar enquanto a fatura sobre sempre para os mesmos”.A “injustiça”, reforçou o secretário-geral do PCP, “tem responsáveis”, que estão sempre a apelar “à compreensão: 'isto está difícil para todos', 'mais vale pouco do que nada', 'não se pode ter tudo de uma vez', 'a culpa é da guerra'”.Para Paulo Raimundo, o aumento dos preços, os baixos salários, as rendas altas e os "juros proibitivos" resultam de opções políticas e não são uma inevitabilidade. Raimundo alertou para “mentiras" que são propagadas "para que os poucos do costume arrecadem muito e tudo de uma só vez”.As “injustiças”, continuou, são resultado da “opção política do Governo PS, bem evidente no Orçamento do Estado, e é, com mais ou menos berraria e aparente discordância, a opção de fundo de PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal”.O país não pode aceitar “que para muitos sobrem os sacrifícios e para poucos os lucros”, a “brutal pressão, chantagem e ataque aos salários, ao mesmo tempo que o Governo, por via do Orçamento do Estado, assegura lucros milionários aos grupos económicos”, sustentou.E questionou o 'mantra' de António Costa: “Contas certas para quem e com quem?”Paulo Raimundo advertiu o primeiro-ministro que o Governo “não ficou totalmente de mãos livres” com a maioria absoluta. O descontentamento da população e a “intervenção do PCP” são forças que “lhe fazem frente”.Na Conferência Nacional do PCP, assegurou o novo líder, não houve “assaltos à democracia, alterações às leis eleitorais e laborais ou golpes à Constituição”, como também “não se apelou ao conformismo ou se instigou o medo” nos portugueses.Paulo Raimundo insistiu nas bandeiras do partido como necessárias para responder às "injustiças", como o aumento dos salários e pensões ou a resposta à desregulação na habitação.“Aqui tomamos a iniciativa pela defesa e concretização da Constituição da República e pela concretização dos direitos que ela consagra. Afirmamos que 'Abril' é mais futuro, um futuro de progresso e oposto à política de direita, à ofensiva reacionária, ao pensamento único, ao racismo e xenofobia e ao ódio fascizante. Não estamos, nem queremos estar sós na construção de uma vida melhor”, assegurou.A intervenção de Raimundo no encerramento da quarta conferência em 100 anos esteva dividida em duas partes: uma de ataque às políticas que o PS está a levar a cabo e à direita, e outra para dentro, para um partido que está “mais forte”, mas precisa dos esforços de todos.“Um partido onde todos se constituem num só, um partido onde a sua unidade e coesão depende também do papel, dedicação, intervenção e militância de cada um”, advertiu.Paulo Raimundo enfatizou que a eficácia da intervenção do partido depende da ligação “às massas”, ideia que repetiu quatro vezes: o partido tem de “reforçar as organizações e movimentos de massas”; tem de “estar ainda mais enraizado nas massas”; tem de estar mais associado “à vida e às massas”; tem de forçar uma “frente de intervenção de organizações de massas das mais diversas áreas”.E para que dúvidas não restassem, Paulo Raimundo lembrou para quem é o PCP existe e fez questão de afirmar que conta com os aliados e democratas: "Não estamos, nem queremos estar sós".“O nosso compromisso é o de sempre e com os mesmos de sempre, os trabalhadores” e a intervenção que o partido terá nunca vai ter “manobras para cortar reformas e pensões”, reforçou Paulo Raimundo.Eleito no sábado por unanimidade, Paulo Raimundo tem agora de se afirmar dentro de um partido que perdeu influência autárquica e na Assembleia da República nos últimos anos – perdeu metade das câmaras municipais em 2021 e quatro deputados nas legislativas de janeiro (tem seis deputado agora).Enquanto as outras forças políticas se ficam “pela espuma dos dias”, advogou o novo líder, o PCP irá responder com “audácia, criatividade e persistência” aos “problemas concretos” de um país” que “não é pobre, foi empobrecido, mas não está condenado ao atraso”.