Raimundo diz que Governo está em profunda degradação e não descarta moção de censura
20 de jul. de 2026, 15:28
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas em Braga, durante uma festa convívio com
militantes, Raimundo disse que as recentes polémicas envolvendo os
ministros da Educação e da Administração Interna se juntam ao desempenho
de outros membros do Governo, como os titulares da Saúde e das
Infraestruturas.Para o líder do PCP, até o próprio primeiro-ministro “já não conta bem com ele”.“Basta
ver a forma como entrou no debate do Estado da Nação, a intervenção que
fez no debate do Estado da Nação, que revela, de facto, o
primeiro-ministro aflito. E eu percebo porquê. O senhor
primeiro-ministro já percebeu que quanto mais avança a sua política,
mais contestação há à sua política, mais isolado o Governo fica”,
apontou.Sobre a polémica dos exames
nacionais, Paulo Raimundo falou numa “trapalhada” e “caos completo” e acusou o
ministro da Educação de arrogância, de desresponsabilização e de
disparar em todos os sentidos.“Depois do
que disse sobre os professores, depois do que disse sobre os diretores
de escolas, depois daquilo que fez as famílias passarem, depois da
pressão toda que meteu sobre os alunos, convenhamos que as condições
para continuar a falar com os professores, com as famílias, com os
diretores de escolas e com os estudantes são muito, muito, muito poucas,
muito reduzidas. Eu acho que não são nenhumas”, referiu.A
culpa, acrescentou, não é só do ministro, mas de todo o Governo, desde o
logo o primeiro-ministro, que colocou a “cabeça no cepo” por Fernando
Alexandre.“Então agora, se põe a cabeça no cepo, sujeita-se àquilo que vai acontecer”, avisou.Já
sobre o ministro da Administração Interna, o líder do PCP disse que é
preciso “esclarecer tudo” e que Luís Neves será “a primeira pessoa que
tem mais interesse em que se esclareça todas estas notícias que estão a
pairar no ar”. “Estamos à espera desses esclarecimentos”, frisou.Em
relação ao futuro dos dois ministros, Raimundo disse que o PCP não tem
por hábito “pedir cabeças”, até porque considera que o problema não é do
ministro A ou B, mas sim das políticas.“Se
nós vamos começar por aí [a pedir demissões], quem é que sobra?”,
questionou, criticando outros ministros, como a da Saúde e o das
Infraestruturas e Habitação.Para o líder
comunista, o Governo está “em profunda degradação” e o primeiro-ministro
começa a ver o tempo a fugir-lhe “para cumprir o que tem para cumprir”,
como o “assalto” à Segurança Social, a reforma laboral ou a
privatização da TAP e da CP.Garantiu que o
PCP fará tudo o que estiver ao seu alcance para travar “o mais depressa
possível esta política e esta degradação”, não estando fora de questão
uma moção de censura.“Nós nunca afastamos
esta possibilidade, nem afastamos este elemento concreto. É um elemento
que temos nas nossas mãos para poder utilizar e logo veremos quando
entendermos que é o momento certo para utilizar, se for para utilizar.
Agora, essa censura institucional tem de ser acompanhada de uma maior e
mais elevada censura social e política, é isso que estamos a procurar
fazer”, rematou. Os casos envolvendo o
ministro da Administração Interna estarão aparentemente relacionados com
factos ocorridos quando ainda era diretor nacional da Polícia
Judiciária (PJ), antes de transitar para o atual Governo, há cinco
meses, e incidem sobre as ligações a um empresário de construção civil
de Barcelos, que fez obras para aquela polícia criminal, mas também em
pelo menos uma propriedade privada do atual ministro, no Alentejo.