Raimundo defende que “é de bom senso” que custos não tenham dimensão anunciada

JMJ

28 de jan. de 2023, 20:45 — Lusa /AO Online

“Acho que é de bom senso, não vale a pena estarmos a aprofundar muito porque é de bom senso. Julgo que não seja muito apropriado valores desta dimensão, em função também da nossa situação”, defendeu Paulo Raimundo, em declarações à Lusa e à RTP no final de uma iniciativa sobre saúde materna, em Lisboa.Acompanhado pelo dirigente comunista Bernardino Soares, o líder do PCP foi interrogado sobre as críticas que têm vindo a público, relacionadas com os custos anunciados para este evento que se realiza em Lisboa, entre os dias 01 e 06 de agosto.Paulo Raimundo afirmou que o PCP não nega “o interesse do investimento público em iniciativas com esta dimensão”, de cariz internacional, mas ressalvou que tal não quer dizer que o partido concorde com “os valores em cima da mesa”.“As pessoas confrontam-se todos os dias com uma situação gravíssima do ponto de vista social, não têm dinheiro para comprar alimentos e bens essenciais, estão a ser roubados no seu salário e na sua pensão, e depois veem coisas destas é normal que a reação não seja muito positiva, compreendemos essas reações, naturalmente”, completou.A despesa do Estado com a organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Lisboa, em agosto, será de 30 milhões de euros, segundo uma nota emitida hoje pelo Governo.A realização da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa terá um custo de pelo menos 161 milhões de euros, segundo as estimativas apresentadas pela Igreja Católica, pelo Governo e pelos municípios de Lisboa e Loures.Os custos da JMJ têm estado em destaque esta semana depois de ser conhecido que a construção do altar-palco do espaço do Parque Tejo (com nove metros de altura e capacidade para 2.000 pessoas), a cargo do município da capital, foi adjudicada à Mota-Engil por 4,24 milhões de euros (mais IVA), somando-se ainda a esse valor 1,06 milhões de euros para as fundações indiretas da cobertura.A JMJ é o maior encontro de jovens católicos de todo o mundo com o Papa, que acontece a cada dois ou três anos, entre julho e agosto.