Raimundo acusa Chega de encenar negociação laboral e avisa que trabalhadores não desmobilizam
Hoje 17:09
— Lusa/AO Online
Paulo
Raimundo falava no encerramento das jornadas parlamentares do PCP, no
Centro de Trabalho dos comunistas na Marinha Grande, concelho de Leiria.Questionado
sobre as reuniões entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o
presidente do Chega, André Ventura, sobre a revisão da lei laboral,
Raimundo considerou estar em causa “uma brutal encenação”.Para
o líder comunista, “descontado o barulho e os ‘soundbites’”, aquilo que
André Ventura propõe, quando diz querer baixar as pensões mais altas, é
o “plafonamento da Segurança Social”, que leva a que as pessoas com
salários mais altos contribuam menos para o sistema público e canalizem
parte dessas contribuições para sistemas privados.O
secretário-geral comunista classificou a ideia de "plafonamento" como
“um embuste” e uma “hipocrisia em nome dos reformados” que não assusta o
primeiro-ministro.“Se eu chegasse ao pé
do primeiro-ministro e dissesse: ‘Senhor primeiro-ministro, eu só aprovo
o pacote laboral se houver o plafonamento da Segurança Social’. O que é
que o primeiro-ministro faz? Fica assustado? Fica a tremer? Ou dá-lhe
dois abraços e abrem uma garrafa de champanhe os dois? É isto que vai
acontecer”, satirizou.Questionado sobre se
isto significa que o partido dá como certa a viabilização, por parte do
Chega, da proposta do Governo, Raimundo avisou que “aconteça o que
acontecer na sexta-feira, o pacote laboral não deixará de estar
rejeitado pelos trabalhadores e os trabalhadores não deixarão de se
mobilizar pela sua derrota”.“Ainda há muito rio a correr por baixo da ponte”, acrescentou.Raimundo
sublinhou ainda que "se o pacote laboral for aprovado na generalidade
isso não significa que o pacote laboral passe a estar aprovado", mas sim
que "o processo continua a andar"."Ora,
se o processo continuar a andar, em cada dia que o processo andará, isso
também será mais um dia de luta e de resposta, quer no plano
institucional. Nós não vamos largar. Vamos ser os pica miolos deste
processo todo. Nós não vamos largar e os trabalhadores não vão
descansar", enfatizou.Raimundo recusou
ainda que o PCP apresente, ao contrário do que já fizeram outros
partidos à esquerda, propostas de alteração ao diploma para o debate
parlamentar.O líder dos comunistas avisou
também que, esta semana, no debate e votação na generalidade da proposta
do Governo de alteração à lei do trabalho, “cada deputado e partido
terá de decidir se derrota ou viabiliza um pacote laboral rejeitado por
quem trabalha e sente todos os dias que já hoje tem sobreviver com
baixos salários e está sujeito a graus brutais de precariedade”.“Se
o pacote laboral não serve aos trabalhadores, se o pacote laboral não
serve ao país, só tem um caminho possível e é o caminho também da sua
derrota do ponto de vista institucional. E a única forma de estar contra
o pacote laboral é votar contra uma proposta que não tem uma única
medida que seja que resolva algum dos problemas que já hoje existem”,
considerou.Raimundo reiterou ainda que
fazer descer a proposta do executivo à especialidade sem votação, como
foi feito com a Prestação Social Única (PSU), seria um golpe e deixou um
aviso aos partidos: “Quem promover ou se associar a este golpe está na
prática a viabilizar o andamento do pacote laboral e os trabalhadores
saberão tirar as conclusões dessa sua própria opção”.O líder do PCP afirmou também que “os trabalhadores não vão largar e não vão descansar até à derrota do pacote laboral”.