Rádio Club de Angra comemora 78 anos de existência

7 de abr. de 2025, 09:00 — Maria Andrade/Rui Jorge Cabral

“A Voz da Terceira”, forma como é conhecido o Rádio Club de Angra (RCA), nasceu a três de abril de 1947 e desde então, e após 78 anos continua a ter um papel importante na identidade cultural terceirense. Para Pedro Ferreira, Presidente do RCA, esta transmissora “mais do que contribuir para uma identidade cultural terceirense, estreitou distâncias, aproximou pessoas e comunidades e lançou os primeiros alicerces da ideia de unidade e da identidade regional”.Em entrevista ao Açoriano Oriental fala sobre o papel importante que o RCA desempenhou no combate ao isolamento sentido entre os diferentes arquipélagos da região. “Ainda antes da consagração política e administrativa da Autonomia, na Constituição de 1975, já o RCA era ouvido em quase todas as ilhas, promovendo um intercâmbio de partilha entre os diferentes ilhéus”, disse.“Infelizmente, nos dias de hoje, por opção do discurso político vigente, alimentam-se bairrismos e divisionismos que visam afastar os açorianos, seguindo a velha lógica de dividir para reinar. Com a legalização das rádios piratas e a primeira lei da rádio, no final dos anos 80, o RCA viu-se forçado a reduzir-se a uma rádio concelhia – aliás, como todas as demais, com exceção na Antena 1 Açores, que presta um serviço público e, sendo financiada pelo Estado (e paga por todos nós, através da taxa de audiovisual) tem especiais responsabilidades regionais”, lamenta o Presidente do RCA.No meio de celebrações, Pedro Ferreira relembra os desafios “essencialmente” financeiros e de falta de recursos humanos que a rádio enfrenta. O decréscimo dos contratos de publicidade, principal fonte de receitas do RCA, e “alguns atrasos nos pagamentos dos escassos apoios públicos que existem” foram os principais motivos apontados para a situação. “O que é certo é que falta de dinheiro leva a que tenhamos menos gente para trabalhar e, com menos gente, não conseguimos gerar os conteúdosnecessários para fomentar mais receitas. É uma pescadinha de rabo na boca”, afirmou.O historiador Francisco Maduro Dias também foi Presidente do Rádio Club de Angra entre 1993 e 1994, num mandato que ficou marcado pelo corte do apoio de dois mil contos pela parte do Governo Regional. “Tomei posse no dia 31 de dezembro por volta das oito da noite, se não estou enganado, e dia dois de janeiro recebo uma carta do Joaquim Machado, na altura subsecretário regional para a comunicação social, e que manda comunicar que, por decisão do Governo Regional na sequência de decisões tomadas na Assembleia Legislativa, deixou de haver o financiamento mensal ao Rádio Club de Angra”, relembra, em entrevista.Em relação à situação atual Maduro Dias afirma que, “provavelmente o RCA poderia e vai ter que encontrar outras formas de aparecer junto das pessoas”.Apesar de tudo, Pedro Ferreira encara o futuro com esperança, “apesar de ter a perfeita noção de que será cada vez mais difícil trilhar este caminho”. “Toda a agente diz que tem de ser o Governo a apoiar estas instituições. Mas o Governo somos todos nós. E o dinheiro é finito. Falta os responsáveis políticos mudarem o paradigma e olharem para a realidade das rádios locais, dando-lhes a importância que elas têm, ao nível da informação de proximidade, da informação em cima da hora, do seu papel enquanto agentes de proteção civil, formação de públicos e literacia sociocultural. Acima de tudo, falta uma mudança de mentalidades! É um problema cultural.”, afirmou.