Quota de goraz das ilhas das Flores e do Corvo dividida por embarcações
9 de abr. de 2025, 16:48
— Lusa/AO Online
“A
quota de goraz (Pagellus bogaraveo), disponibilizada às ilhas das
Flores e do Corvo, para o segundo trimestre de 2025, deduzidos os
respetivos excessos verificados no primeiro trimestre de 2025, é
repartida individualmente pelas embarcações constantes do anexo ao
Despacho n.º 720/2025, de 28 de março”, lê-se no despacho.Na
ilha do Corvo, onde estão registadas sete embarcações de pesca local e
costeira que podem capturar goraz, é atribuída uma quota de 325,40
quilos por embarcação.Já na ilha das Flores, com 21 embarcações registadas, é distribuída uma quota de 249,30 quilos por embarcação.Segundo
o despacho, a repartição do volume máximo de capturas de goraz de forma
individual pelas embarcações de pesca licenciadas das Flores e do Corvo
surge por proposta das associações representativas do setor das duas
ilhas, tendo sido ouvida a Federação das Pescas dos Açores.O
Conselho da União Europeia fixou para o primeiro semestre de 2025 uma
quota de 276 toneladas de goraz para Portugal, que foi disponibilizada à
Região Autónoma dos Açores devido ao histórico de desembarques das
embarcações registadas no arquipélago.Numa
portaria publicada a 21 de fevereiro, a Secretaria Regional do Mar e
das Pescas dos Açores fixou a repartição da quota de goraz por ilha,
“respeitando o histórico de cada uma delas e das respetivas embarcações,
por forma a garantir uma repartição justa e equitativa”.Foi
atribuída uma quota de 123 toneladas no primeiro trimestre e de 153 no
segundo, repartida por Corvo (1,58%), Santa Maria (1,60%), São Jorge
(2,60%), Flores (3,65%), Pico (5,44%), Graciosa (10,06%), Faial
(15,38%), Terceira (24,39%) e São Miguel (35,30%).De
acordo com o diploma, a ilha das Flores ficou com uma quota de 4.489,50
quilos no primeiro trimestre e de 5.584,50 quilos no segundo, enquanto a
ilha do Corvo ficou com uma quota de 1.943,40 quilos no primeiro
semestre e de 2.417,40 no segundo.Dividindo
pelas embarcações registadas, a quota definida para o segundo trimestre
devia dar 345,34 quilos por embarcação no Corvo e 265,93 nas Flores,
mas ambas as ilhas ultrapassaram a quota atribuída no primeiro trimestre
do ano.A gestão da quota do goraz nos Açores tem gerado discussão entre partidos, Governo Regional e Federação das Pescas.Em
março, o deputado regional do PPM Paulo Margato defendeu a “mudança
imediata” das regras de gestão das quotas de pesca, acusando a Federação
das Pescas dos Açores de construir “um modelo que favorece os grandes
interesses instalados”.Em reação, a
federação disse que o modelo de quotas foi do “conhecimento geral das
associações”, tendo sido “previamente discutido e analisado pelos
representantes do setor”.Já antes o
PS/Açores tinha acusado o Governo Regional de não ter "um plano eficaz"
para gerir a quota do goraz e mitigar os impactos económicos nos
pescadores das ilhas Graciosa, Flores e Corvo e na sustentabilidade da
frota dessas ilhas.Também o Chega/Açores
questionou o executivo sobre “a justificação para a divisão adicional da
quota por ilha”, alegando que os pescadores se sentiam prejudicados
porque as ilhas mais pequenas tinham "menos quota disponível.