Quinze aviões reabastecedores norte-americanos continuam estacionados na Base das Lajes
Hoje 16:24
— Lusa/AO Online
Há
cerca de uma semana que a base, situada na ilha Terceira, nos Açores,
assiste a uma maior movimentação de aeronaves norte-americanas.Na manhã desta quarta-feira, para além dos 15 reabastecedores, estacionados na mesma
posição há quase uma semana, havia apenas na pista uma aeronave C-130 da
US Navy.Utilizado habitualmente para
transporte de tropas e carga, o C-130 norte-americano, que aterrou na
terça-feira à noite nas Lajes, levantou voo, por volta das 10:20 (11:20
em Lisboa), em direção à base naval de Rota, em Espanha.Para
além desta aeronave, no aeroporto, que tem utilização civil e militar,
só aterraram e levantaram voo aviões comerciais da SATA e da TAP.Numa
pacata manhã de sol na ilha Terceira, alguns curiosos registaram a
partida do C-130 com telemóveis, do outro lado da vedação, mas não havia
muito movimento à volta da infraestrutura.Na
pista, viam-se alguns militares junto aos reabastecedores, mas sem
sinais evidentes de que algum estivesse pronto a levantar voo.Na
quarta-feira à tarde estavam estacionados nas Lajes 11 reabastecedores
KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17
Globemaster III.No final da semana chegaram os restantes reabastecedores, mas entretanto partiram os caças e o cargueiro.Na
sexta-feira, a base recebeu o cargueiro C-5M Super Galaxy, o maior
avião de transporte estratégico da Força Aérea dos Estados Unidos, que
levantou voo no dia seguinte.Desde então que permanecem na Base das Lajes apenas os 15 reabastecedores.Na
terça-feira, passou também pela infraestrutura um P-8 Poseidon,
aeronave militar desenvolvida para a Marinha dos Estados Unidos,
projetada para a guerra antissubmarino, mas que aterrou e levantou voo
no mesmo dia.Contactada há cerca de uma semana pela Lusa, a Força Aérea norte-americana continua sem prestar declarações.Na
quarta-feira, numa breve mensagem escrita, em resposta à Lusa, o
Departamento de Estado e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos
disseram apenas que “o Comando Europeu dos EUA recebe regularmente
aeronaves e pessoal militar dos EUA em trânsito, de acordo com os
acordos de acesso, base e sobrevoo celebrados com aliados e parceiros”.“Tendo
em conta a segurança operacional dos bens e do pessoal dos EUA, não é
possível divulgar mais detalhes neste momento”, acrescentaram.Na
segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros admitiu que os
Estados Unidos podem usar a Base das Lajes para uma operação militar
contra o Irão sem avisar Portugal, mas ressalvou que o Governo defende a
via da paz.Em declarações aos jornalistas
à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da
União Europeia (UE), em Bruxelas, Paulo Rangel foi questionado se
Portugal autorizou formalmente a utilização da Base das Lajes no
contexto de uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra o Irão.Na
resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros salientou que “o uso da
Base das Lajes pelos Estados Unidos tem sido feito exclusivamente, e
como tem de ser, de acordo com o tratado que existe entre os dois
países”.“É apenas relativo ao sobrevoo,
estacionamento, eventualmente à escala de aeronaves e essa tem sido
autorizada nos termos gerais do acordo”, afirmou, recordando que esse
acordo prevê “autorizações tácitas, que são dadas com um prazo
relativamente curso”.Rangel admitiu que,
nas últimas semanas, o recurso a essas autorizações tácitas tem sido
“maior do que tem sido habitual”, mas salientou que isso já aconteceu
“mais do que uma vez” desde que assumiu o cargo de ministro dos Negócios
Estrangeiros, em abril de 2024.“Não há
nenhum quadro que não seja o quadro geral. E, portanto, qualquer outra
operação, essa não tem de ser nem autorizada, nem conhecida, nem
comunicada por Portugal. Nunca foi e não era agora que ia ser”, afirmou.