Quercus considera cimeira uma encenação mediática num país que viola direitos humanos
COP29
11 de nov. de 2024, 14:20
— Lusa/AO Online
Em comunicado divulgado, por
ocasião da abertura da cimeira da ONU em Baku, no Azerbaijão, a Quercus
desafia os países a repararem os danos e a protegerem os recursos
naturais do planeta.“Enquanto fenómenos
climáticos extremos devastam vidas e ecossistemas, e os recordes de
temperatura se acumulam ano após ano, os compromissos climáticos
continuam a ser adiados”, critica a associação.
A Quercus justifica que optou por não se deslocar a mais uma
conferência onde as ações essenciais já são conhecidas, mas “raramente
executadas com coragem”.“A Quercus entende
que realizar a Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) em mais um país produtor
de petróleo é um indicador de que teremos fracas perspetivas para dar
resposta efetiva e atempada às necessidades para limitar o aquecimento
global e combater as alterações climáticas, fazendo cumprir as reduções
estabelecidas no Acordo de Paris”, lê-se no documento.Além
das preocupações ambientais, a Quercus considera “desconcertante”
participar numa COP num país onde os direitos humanos são
“sistematicamente violados e as vozes críticas silenciadas”, com
“detenções arbitrárias” e repressão de jornalistas, defensores de
direitos humanos e ativistas civis. A
associação sublinha ainda que o Azerbaijão enfrenta “tensões
fronteiriças graves” com a Arménia, que afetam a segurança e
estabilidade na região. “As políticas
atuais estão a arrastar-nos para um cenário catastrófico de 3.1ºC de
aquecimento global pós era industrial e as pessoas e ecossistemas estão a
pagar um preço terrível. Há muito que é tempo de agir”, adverte a
Quercus, lembrando que a seca e o aumento das temperaturas criaram
condições ideais para incêndios florestais devastadores em regiões como
Portugal, Chile e Califórnia (EUA).“Estes
padrões climáticos instáveis indicam que 2024 poderá tornar-se o ano
mais quente e mortal já registado, culminando em Valência, onde chuvas
torrenciais resultaram em inundações catastróficas, mais de 200 mortos e
milhares de desalojados, devido à tempestade "gota fria" (DANA), com
uma precipitação equivalente a um ano em poucas horas”, exemplifica a
organização.Para a Quercus, o mundo já não
tem tempo para cerimónias diplomáticas, quando a temperatura global e a
frequência de fenómenos extremos disparam: “É hora de exigir medidas
reais, de forma transparente e comprometida, para reduzir emissões e
proteger o futuro dos nossos ecossistemas e comunidades”.Um
inquérito do Banco Europeu de Investimento (BEI), hoje divulgado,
revela que quase todos os portugueses (99%) apoiam medidas para combater
as alterações climáticas, questão que 66% considera prioritária.