Quercus alerta para o elevado desperdício energético do ar condicionado portátil
9 de jul. de 2020, 08:14
— LUSA/AO online
Em comunicado, a Quercus adianta que o alerta
consta de uma campanha organizada pela aliança Coolproducts, da qual a
associação é membro.A campanha visa
alertar os consumidores para o elevado desperdício de energia dos
aparelhos de ar condicionado portáteis e exigir aos decisores políticos
requisitos mais exigentes para a indústria e informação mais acessível
aos consumidores, com vista a escolhas mais amigas da carteira e do
ambiente.De acordo com a Quercus, as
unidades de ar condicionado portáteis na Europa têm impacte ambiental
equivalente a 200 mil voos Bruxelas-Nova Iorque.Por
isso, a Quercus, enquanto responsável pelos projetos europeus Topten e
HACKS, participa na campanha organizada pela aliança Coolproducts e
subscreve o apelo para que a Comissão Europeia (CE) crie uma etiqueta
energética única para todos os aparelhos de ar condicionado.Pede
também que a CE promova ativamente o uso de fluidos refrigerantes com
baixo impacte climático e introduza requisitos técnicos que permitam a
maior duração dos aparelhos e, que as peças de substituição sejam
obrigatoriamente disponibilizadas por um período mínimo de 12 anos.“Apenas
com base numa sintonia entre os decisores políticos e os cidadãos será
possível garantir o uso das melhores tecnologias disponíveis para
refrescar as casas, durante verões cada vez mais quentes”, é referido na
nota.A associação destaca também que
“numa altura em que as temperaturas ultrapassam os 40 graus Celsius em
muitos locais e a necessidade de arrefecer as habitações aumenta, muitos
portugueses são induzidos a fazer compras impulsivas de aparelhos de
climatização para arrefecer as suas casas”.De
acordo com dados indicados pela Quercus, até 2050, prevê-se que 2/3 do
setor residencial, a nível mundial, tenha um aparelho de ar
condicionado. “Na União Europeia (UE),
espera-se que o consumo de eletricidade pela utilização destes aparelhos
aumente de 40 TWh para 62 TWh, em 2030, o equivalente a cinco vezes o
consumo de eletricidade no setor doméstico, em Portugal”, alerta a
associação.No que diz respeito aos
aparelhos portáteis, a Quercus diz que só na União Europeia foram
vendidas mais de meio milhão de unidades, em 2015, o que representa
14,2% do total de vendas de aparelhos de ar condicionado. Em Portugal, mais de 6,5% das vendas de novos aparelhos corresponderam a unidades portáteis.No
entendimento da Quercus, este crescimento excessivo traduz-se "numa
séria ameaça devido ao aumento das emissões de gases com efeito de
estufa associadas, as quais, por seu turno contribuirão, ainda mais,
para a subida da temperatura no planeta".“Os
aparelhos portáteis constituem o sistema menos eficiente do mercado. No
entanto, são cada vez mais populares. De facto, um modelo portátil, com
a classe A+, consome 2,4 vezes mais eletricidade do que um modelo de
parede, da mesma classe”, refere a associação.Para
a Quercus, o consumidor é induzido em erro, dado que as etiquetas
energéticas destes modelos não são comparáveis entre si e por isso,
defendem que a solução é haver uma etiqueta única para os vários
sistemas.