“Enquanto em algumas partes do mundo seres
humanos morrem por falta de vacinas, aqui as pessoas arriscam as suas
vidas e as dos outros ao recusarem-nas. Há quem não brinque à prevenção
mas sim com o fogo”, disse Juncker, na abertura de um encontro mundial
organizado pela União Europeia (UE) e a Organização Mundial de Saúde
(OMS), tendo como fundo a recrudescência de doenças preveníveis pela
vacinação como o sarampo.A UE e a OMS
decidiram organizar o encontro de hoje entre responsáveis políticos,
sociedade civil, especialistas em saúde pública e representantes de
redes sociais para debater a questão da multiplicação de doenças que se
pensa poderem ser erradicadas através da vacinação.Segundo
dados da organização, foram registados três vezes mais casos de sarampo
no primeiro trimestre do ano do que no mesmo período de 2018, a nível
mundial.“Na Europa, o número de mortes
ligadas ao sarampo multiplicaram-se por seis entre 2016 e 2018”,
salientou Juncker, na sua intervenção, referindo que a maior parte dos
óbitos foi de pessoas não vacinadas.Denunciando
uma “desconfiança estúpida” em relação à vacinação, Juncker referiu que
38% das pessoas que recusam imunizar-se acreditam que as vacinas causam
as doenças que na verdade previnem.O
diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, adiantou, por seu
lado, que “as mentiras sobre a vacinação alastram nos países
desenvolvidos, na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e outros, mas
também em países menos desenvolvidos como o Paquistão e a República
Democrática do Congo, comprometendo a luta contra a poliomielite, o
Ébola e outras doenças que poderiam ser evitadas graças às vacinas”.A
UE e a OMS trabalham com várias plataformas incluindo as redes sociais
para combater as campanhas de desinformação sobre as vacinas, tendo o
responsável da OMS saudado os recentes anúncios no Pinterest e Facebook
de que irão orientar os seus utilizadores para informações exatas e
fiáveis.“É um bom começo, mas é preciso fazer mais”, salientou Ghebreyesus.Segundo
a OMS, em 2018, foram registados 353.236 no mundo, dos quais 82.523 em
países da UE, tendo a organização listado a hesitação em vacinar como
uma das 10 ameaças à saúde mundial.