Queixas por violência doméstica à PSP aumentaram no primeiro semestre do ano
5 de ago. de 2024, 11:57
— Lusa/AO Online
Num
balanço do primeiro semestre do ano sobre a “prevenção e combate ao
flagelo da violência doméstica”, a PSP refere que 8.246 pessoas foram
vítimas deste crime, das quais 5.107 são mulheres e 3.139 são homens, “o
que significa que as mulheres continuam a ser as mais afetadas por este
tipo de violência”.Relativamente aos agressores, e no mesmo período temporal, dos 10.984 denunciados, 2.371 são mulheres e 8.613 são homens.Ainda
de acordo com os dados, a PSP realizou, entre os dias 01 de janeiro e
30 de junho de 2024, 460 detenções, das quais 298 foram efetuadas em
flagrante delito e 162 ocorreram fora de flagrante delito, através de
emissão de mandado de detenção.Dos suspeitos detidos, 431 são homens e 29 são mulheres, salienta a PSP no balanço divulgado em comunicado.Em
2023, a PSP tinha registado 15.499 denúncias pelo crime de violência
doméstica e deteve 971 suspeitos, dos quais 903 eram homens e 68
mulheres. Destas detenções, 612 ocorreram em flagrante delito e 359 fora
de flagrante delito.“Por forma a melhorar
o acompanhamento das vítimas deste crime, disponibilizando todo o apoio
e privacidade necessárias num momento de grande fragilidade”, a PSP
criou as Estruturas de Atendimento Policial a Vítimas de Violência
Doméstica, totalizando 19, distribuídas pelos Comandos Metropolitanos do
Porto (a primeira a ser criada) e Lisboa, Comando Regional da Madeira e
pelos Comandos Distritais de Castelo Branco, Évora, Portalegre, Setúbal
e Viseu.Das 15.499 denúncias registadas em 2023, mais de metade foram recebidas nestas estruturas especializadas. A
PSP realça que “a predisposição das vítimas, bem como de testemunhas ou
outros intervenientes, para denunciar este tipo de criminalidade, tem
aumentado”, um facto que considera que “tem sido crucial (…) para
diminuir as cifras de crimes não denunciados”.“As
pessoas estão cada vez mais conscientes e sensibilizadas para este
crime, contribuindo para que a PSP tenha um conhecimento mais célere de
situações de violência e possa auxiliar a vítima numa fase mais
precoce”, sustenta.A PSP realça que a
violência nas relações amorosas pode assumir as vertentes física,
psicológica/emocional, social, sexual e económica, sublinhando que
“injuriar, ameaçar, ofender, agredir, humilhar, perseguir ou devassar a
intimidade são formas dessa violência”.“Verificam-se
ainda alguns comportamentos, principalmente entre casais mais jovens,
que também se traduzem em situações de violência”, refere, alertando que
“não é aceitável que o(a) parceiro(a) queira controlar aquilo que o
outro veste ou com quem se relaciona, nomeadamente o círculo de
familiares/amigos, com quem socializa nas redes sociais ou que queira
saber, a todo o momento onde o(a) parceira se encontra e com quem”. A
autoridade lembra que este tipo de comportamentos e de controlo “é
abusivo, gera grande ansiedade nas vítimas, e não deve ser confundido
com preocupação”.A PSP alerta também para a
necessidade de vítimas e testemunhas manterem a disponibilidade de
denúncia das situações de violência doméstica, podendo fazê-lo por
e-mail (violenciadomestica@psp.pt) ou nas esquadras.
“Todas as situações sinalizadas são, de imediato, alvo de avaliação de
risco, no sentido de serem adotadas com brevidade as medidas de
segurança de proteção da vítima que se afigurem urgentes para cada caso
em concreto”, assegura.