Queixas laborais nos Açores aumentam durante a pandemia
22 de jun. de 2020, 19:45
— Lusa/AO Online
Segundo o coordenador da
CGTP nos Açores, João Decq Mota, as “queixas foram muitas neste período”
de pandemia, tendo esta estrutura intersindical recebido, “seguramente,
mais de 150 queixas” vindas de todo o arquipélago, adiantou, referindo
que muitas dessas queixas tinham a ver com “imposição de férias e
questões relacionadas com o aumento do número de horas de trabalho
diário”.Sem conseguir quantificar o número
de queixas que chegaram à UGT/Açores, o coordenador regional do
sindicato referiu que “houve muitas queixas sobre abusos dos horários de
trabalho, em que foram solicitadas 12, 14, 16 horas de trabalho”.Referiu
ainda que, “outra área em que também houve abusos, foi a área dos
conteúdos funcionais”, com empregadores a exigirem tarefas a
trabalhadores que não são qualificados para as cumprir.Em
maio, Vítor Silva, dirigente do SITACEHT (Sindicato das Indústrias
Transformadoras, Alimentação, Comércio e Escritórios, Hotelaria e
Turismo dos Açores), afeto à CGTP, tinha denunciado centenas de relatos
de abusos laborais e referiu que terão sido apresentadas cerca de 5.000
queixas à Inspeção Regional do Trabalho, entidade que, segundo o
sindicalista, foi "fundamental para impedir ainda mais ilegalidades e
abusos".Os líderes das estruturas
regionais da CGTP e da UGT foram ouvidos esta manhã, por
videoconferência, numa audição do parlamento açoriano que analisava uma
proposta do PCP, que pede “o reforço dos meios da Inspeção Regional do
Trabalho (IRT) e a garantia da eficácia da sua intervenção”.Francisco
Pimentel afirmou que a UGT é favorável, “como posição de princípio”, a
“tudo o que seja reforço dos recursos humanos e dos meios e competências
da Inspeção”, mas considerou que “o que interessa, mais do que o
reforço de recursos humanos, é a capacidade de resposta da inspeção de
trabalho”.O dirigente adiantou que a
IRT "dá resposta às queixas dos sindicatos”, ressalvando, no entanto,
que “os sindicatos são uma organização coletiva e têm um peso” que lhes
permite resolver os processos com maior celeridade.Quanto
ao aumento de competências desta entidade, o sindicalista lembrou que
“a Inspeção Regional de Trabalho não tem nem mais nem menos competências
que a inspeção da Autoridade para as Condições de Trabalho” e, por
isso, acredita que “tem as condições necessárias para intervir”.Já
o coordenador da CGTP reconheceu que “tem havido melhorias”, mas
lembrou que o reforço de recursos humanos para a Inspeção Regional de
Trabalho é uma reivindicação antiga desta intersindical, que defende uma
IRT “com mais meios e mais especializada”.“É
evidente que nós não pomos em causa o esforço que os inspetores e
trabalhadores da IRT põem nas respostas e quando solicitados, quer por
trabalhadores, quer por sindicatos. Mas, muitas vezes já tenho ouvido
dos próprios inspetores que há dificuldades em responder pelo volume de
trabalho e volume de queixas”, afirmou João Decq Mota.