Queixas dos pilotos podem levar organizaçao a alterar regras de partida
Dakar2026
Hoje 17:21
— Lusa/AO Online
À agência
Lusa, vários pilotos portugueses dizem-se prejudicados pela regra que
obriga os concorrentes a terminarem cada etapa com 117 por cento do
tempo do vencedor da respetiva categoria, sob pena de serem recolocados
em lugares mais atrasados e atrás de pilotos que fizeram pior tempo.“Nós
temos a regra de não poder ultrapassar 117% do tempo do vencedor da
categoria. Se os SSV conseguem fazer esses valores facilmente, para mim,
conseguir gastar apenas mais 17% do tempo de um Nasser [Al-Attiyah,
líder da classificação dos automóveis], quando eu estou em condições
mais difíceis de pista, de navegação, de ultrapassagem de muitos
pilotos, é muito complicado”, frisa Maria Luís Gameiro (Mini), que corre
nos carros.A piloto português queixa-se que “as regras da organização fazem com que todos os dias volte para trás de pilotos mais lentos”.Também
Hélder Rodrigues (Polaris), que compete nos SSV, se queixa de ver
muitos pilotos mais lentos serem colocados à sua frente, prejudicando o
desempenho devido à necessidade de fazer mais ultrapassagens no meio do
pó.“Nesta categoria estamos a ser muito
prejudicados. Até podemos fazer um bom resultado, mas só podemos ir a
125 km/h. Quando paramos numa zona de abastecimento, todos os camiões e
carros que passámos anteriormente voltam a ficar à nossa frente porque
nós temos de parar meia hora e eles param apenas cinco minutos. Andamos
assim os dias todos”, relata o piloto de Sintra.Rui
Carneiro (BBR), que corre na categoria Challenger, admite mesmo
subscrever a ideia posta a circular no acampamento de criação de um
sindicato de pilotos.Confrontado com as críticas, o diretor da corrida, o francês David Castera, admite alterar a regra já na próxima edição.“É
algo que não está totalmente nas minhas mãos mas quero alterar as
coisas. A mim também não me agrada. No ano passado tivemos a mesma regra
com 115%. Este ano alargámos para os 117% e está a dar problemas,
porque temos mais carros na categoria T1+, mais pilotos bons, pelo que
os que antes ficavam entre o 25.º e o 35.º lugar agora ficam entre o
35.º e o 45.º e já não entram nos 117%. Há que ter isso em conta”, diz,
em entrevista à agência Lusa.Castera abre a
porta a um regresso ao passado: “A regra de que eu mais gosto é a de
que cada piloto arranque da posição em que terminou na etapa anterior.
Se foi 50.º, parte de 50.º. Se foi 80.º, parte de 80.º. Para mim, é a
única regra viável. Só temos de ver o que fazemos com os pilotos
prioritários. Se o Nasser tiver um problema numa etapa, não pode sair de
80.º, porque em termos de segurança não faz sentido [pois é muito mais
veloz que os outros pilotos]”.